28 de jun de 2016

Uma nova função - BOLOS

Muita coisa aconteceu nesses 5 anos que se passaram desde os AVCs que me pegaram no final de julho de 2011. Nem eu acredito que já se passou tanto tempo.

Me lembro de tudo como se fosse ontem. Vai ver que por ter registrado cada passo importante da minha recuperação e por ainda manter esse canal de comunicação com eventuais leitores que aqui chegam, essa lembrança ainda se faz tão presente na minha vida.  Sim, não teria como ser diferente. Um AVC na vida de qualquer um é um fato marcante.

Mas vamos às novas.

Quem já me acompanha por outros canais já viram que eu me tornei uma boleira (pelo menos estou tentando).   E o que essa informação tem a ver com esse tema? Já, já vocês vão entender.

Iniciei este ano um projeto de fazer bolos sem glúten e sem lactose. E vou dizer que muita coisa aconteceu aqui dentro de mim. Começando por encarar um desafio novo nessa altura da vida. E por ainda ver ganhos que tenho tido desde o meu AVC.

Como já expliquei no início do blog, sofri dois AVCs no tronco cerebral, o que me deixou muito mal mesmo em 2011.  Não falava, não mexia o lado direito... O lado afetado no cérebro foi o lado esquerdo (lembre-se que é sempre cruzada a sequela de um AVC).  O lado esquerdo é o responsável pela lógica do raciocínio, pelas atividades sequências. Analítico, objetivo e racional.  Tudo isso no lado esquerdo, o lado afetado no cérebro.

Começando a minha nova função, tenho que confessar que errei muita receita.  Achei que tinha lido o passo-a-passo, mas sempre acontecia alguma coisa que eu achava que tinha perdido.  E algumas vezes eu tinha perdido mesmo um passo importante. Outras, não. Mesmo jurando que tinha pulado um passo.

Além dessa lógica seqüencial que faz parte da alquimia na cozinha, entre panelas e formas, me vi também precisando ativar outras áreas. Lá vou eu fotografar, publicar, escrever textos para os bolos, acompanhar comentários, responder comentários.  Criar uma lógica na minha produção que vai surgindo ao longo da semana. Afinal de contas, estou tentando virar uma boleira.

Tudo isso eu faço sozinha. Sozinha mesmo.  E vou dizer que não é fácil, mas que melhorou muito desde o início do ano.  Não posso mais errar receitas, tenho que pensar no que tenho que comprar para as encomendas feitas (raciocínio sequencial), porque não pode faltar 1 ovo no meio da receita. Isso é só um exemplo que quero dar de como a minha capacidade de raciocínio, de pensar de forma lógica, de ativar o meu multi-tasking (várias tarefas ao mesmo tempo) está melhorando cada vez mais.

Além da parte cognitiva que eu venho trabalhando nessas novas funções que fazem parte do meu novo dia-a-dia, também tem a parte física.  Passei a escrever mais (minhas etiquetas de bolo são escritas).  Minha letra melhorou significamente! Tem a parte das embalagens, que requer cuidado ao manusear o bolo e a embalagem em si.  Alguns bolos eu tenho que misturar à mão. Força física no meu lado direito (o prejudicado). Ou seja, um intensivão de terapia ocupacional!  Ahhhh, não posso esquecer que tenho tido muita louça para lavar ultimamente! (também tem o seu lado chato...)


E a gente vai se adaptando à nova realidade, e muitas vezes a nova realidade vai se adaptado a nós. Não podemos deixar o medo nos vencer.  Temos que sair da zona de conforto e tentar algo.  Ninguém disse que seria fácil. A única pessoa que se beneficia quando resolvemos sair desse terreno conhecido somos nós. Depois de quase 5 anos, me senti mais segura.  E deu certo. Está dando.

Se não é o seu momento, espere. Espere, mas não desista. Só deixe o tempo da cura ir fazendo o seu papel.



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