31 de out de 2011

Texto - AVC


"Mas se através de tudo corre a esperança, então a coisa é atingida.  No entanto a esperança não é para amanhã.  A esperença é este instante.  Precisa-se dar outro nome a certo tipo de esperança porque esta palavra significa sobretudo espera.  E a esperança é já.  Deve haver uma palavra que signifique o que quero dizer".
Clarice Lispector
Escolhi esse texto para escrever todo dia, como uma forma de treinar minha caligrafia, diga-se de passagem que está um horror no dia 31 de outubro de 2011. Mas pelo menos eu já consigo pegar a caneta de forma correta.  Escrevo esse texto pelo menos duas vezes ao dia.  É um esforço descomunal, acreditem em mim, mas para a minha verdade isso valerá à pena mais na frente...  Tenho certeza disso!

17 de out de 2011

UTI - Parte 1 - AVC


Nunca em minha vida havia ficado em um UTI.  Ninguém merece!  Não são pelos profissionais, mas pelos malditos cabos.  Será que não teremos um UTI wifi????
Ali foi o meu primeiro contato real com serviços médicos.  Devo ter acordado no dia seguinte, meio grogue pelos medicamentos.  Só me lembrava do episódio do parque, não da minha odisséia pelos hospitais de Brasília. Graças ao que me deram, eu não passei por isso consciente!
Agradeço a todos que me ajudaram nesses dias.  Sei que não trabalham apenas dinheiro (que aliás é pouco pelo serviço que prestam).  A minha "primeira" UTI foi tranqüila. Eu falava, comia bem, passei a maior parte do tempo consciente.  Tempo necessário para minha recuperação. Fiquei até "popular" por lá! Fazia amizade fácil com quem estava ali cuidando de mim.
O tempo passou rápido, me transferiram para outra UTI pois eu me encontrava a maior parte do tempo consciente.  Tinha até TV lá. A primeira notícia do mundo que eu me lembro foi a morte de Amy Winehouse... Coisas da vida...

14 de out de 2011

Meu anjo da guarda - AVC

Outro dia uma amiga comentou: "quantas vezes a gente passa por pessoas na rua, e ignora uma situação dessas." Acredito que muitas vezes.   Mas graças à uma atitude diferente desta, toda a diferença se fez! Meu socorro foi rápido, e fez muita diferença. A velocidade no atendimento de um AVC faz toda a
diferença. Se você se encontrar numa situação dessas, preste o socorro o mais rápido possível.   Todos serão gratos!
Acredito que mais uma vez, temos que nos conectar ao presente.  Aquela nossa impaciência de todo dia tem que nos dar uma folga!
Eu queria agradecer essas pessoas que me ajudaram... Pedi a "R", que tem uma amiga que trabalha no SAMU, para me ajudar. Alguns dias se passaram, até ela conseguir o contato para mim!
Peguei o telefone na hora e liguei.
Uma criança atendeu.  Pedi que chamasse o Sr. "L".Assim eu agradeci.  Agradeço a eles todos os dias. Sr."L" e esposa foram as pessoas que me viram passar mal.  Ainda irei localizar o médico que também me socorreu no parque.Só me lembro de sua voz...
Sempre ande atento às pessoas a sua volta.  Elas podem precisar de sua ajuda.

O AVC

Eu tive um AVC. Sim, eu tenho apenas 42 anos, nunca fumei, tento manter um estilo de vida saudável.  Não,eu não tomo pílula anticocepcional, porque aos 40 anos eu fiz uma histerectomia radical devido a um câncer no meu útero.  Sim, um raio cai duas vezes no mesmo lugar.  Aliás, não foi um AVC, foram dois!
Eu tive um AVC isquêmico.  Passei quase um mês no hospital, sendo que a maior parte foi na UTI.  Foram três semanas de luta no hospital.  Eu digo que o segundo AVC veio para consertar o primeiro.  Minhas amigas dizem que eu fiquei torta no primeiro, o que não aconteceu no segundo.  No segundo eu perdi a minha fala e o meu lado direito (sim, o meu lado dominante) se encontrava paralisado.  Eu não sabia engolir, e eu nem sabia que a gente pode esquecer isso!
Estou bem agora, e isso é que importa!
Em uma bela manhã, eu resolvi caminhar.  Em Brasília, julho é particularmente um mês com belos dias.  E como não podia ser diferente, dia 16 de julho de 2011 foi assim.  Ao acordar fui para o Parque da Cidade caminhar.  6km, sem muito esforço, respeitando a seca de Brasília.  Tomei meu café da manhã. peguei meu carro e fui.
No meio para o final da caminhada, eu passei mal.  Tive a sensação que ia desmaiar, apenas isso. Encostei num poste e liguei para a minha amiga  "A", que chegava no Parque, amiga de outras caminhadas, e mal consegui falar... Foi o início do passar mal.
Nisso, meu Anjo da Guarda estava de prontidão e me ajudou... Um casal passava e me viu deitada na grama, toda encolhida.  Me ajudaram na hora junto com um médico, que também passava na hora.  Não conseguia dizer nada.  Minha cabeça repetia: "Adriana, calma! Respire até seis".   Mas eu não conseguia.  Já me faltava ar.  Eu escutava tudo, mas não consegui falar.