20 de jul de 2013

2 anos de superação




Estou buscando inspiração para esse post há alguns dias, mas ela não veio.  Me desculpe por um post mais ou menos,  Queria presentear não só a mim, como a vocês também, com uma leitura mais interessante, mas não "saiu".

Essa semana completou na 3a. feira, dia 16 de julho, 2 anos completos do AVC que tive caminhando num parque em Brasília. Clique aqui para saber mais sobre o meu AVC.

O tempo se mostrou mais uma vez além de sábio, relativo.  Ao mesmo tempo em que a memória de tudo que passei está tão presente aqui no meu dia-a-dia, ela também se mostra apenas uma lembrança.

Sei que é difícil passar essa sensação para quem está vivendo na própria pele, ou na pele de algum conhecido, familiar, amigo. Como tudo na nossa vida, o tempo sabe o que faz.  Não adianta lutar contra ele.  É melhor tê-lo como um aliado.

Mas vamos ao que interessa.

Dois anos se passaram.  Como estou?

Muito bem, obrigada! Como numa dieta, onde os últimos quilos são os mais difíceis de perder, o resto da recuperação se mostra a passos lentos.  Falo em resto sim, e sei que tem muita gente que me conhece perguntando: "O que é o resto???? Ela tá tão bem!"

Meu equilíbrio melhorou, mas ainda falta um bom pedaço para ele voltar aos 100% (por que eu sei que vai voltar, só não sei quando).  Na fisio, mais uma vez, ela insere um novo exercício aqui e acolá, e quando a novidade surge, o desequilíbrio pinta!  O labirinto dá o seu sinal de vida.  Fico enjoada, meus olhos me dão a sensação de que estão desalinhados (isso é tudo sensação minha, nada que alguém me olhe e me ache vesga!).

Ler um livro quando estou ficando mais cansada é uma tortura. As linhas mudam de lugar, abro e fecho os olhos querendo entrar na narrativa, mas a agonia me vence.   Passo pra TV.  De repente vejo os atores com 4 olhos, 2 bocas, 2 narizes.  Mudo a cabeça de posição (veja, não são os olhos!), até conseguir um ângulo que me deixe ver as pessoas como elas são.  Em breve vou num oftalmo para ele dar uma olhadinha!

Um exercício na fisio que é um desafio ainda:  na ponta dos pés, balanço os braços e poooffff, me desiquilibro.  Lógico que dentro de uma contagem da fisioterapeuta, porque acho que qualquer um não passou por um AVC também desequilibra, mas em uma outra contagem...

Tudo parece que amplifica quando começo o me cansar, ou a relaxar (lógico que a uma taxa diferente de pessoas normais!).  A língua fica mais pesada, a fala fica mais enrolada...  Ou seja, tá na hora de calar a boca!!!

O funcionamento das idéias ainda não é uma "Brastemp", mas melhorou.  O esforço que fazia para criar listas mentais, coisas do cotidiano, diminuiu muito, mas ainda não sumiu, tenho que me concentrar sempre.
Volta e meia sai pela boca uma coisa ao invés da que queria falar, e eu juro que falei certo.  Nem discuto mais... (relaxo)

Penso que 2 anos ainda é pouco.  Quando leio histórias de pessoas que superaram as sequelas de um AVC, vejo que estão falando de 8 anos... Só me atento para histórias de sucesso, porque é isso que me interessa.

Na rede (internet), infelizmente, temos muitas informações que nos deixam pra baixo.  Me blindo para esse tipo de informação.  Não estou cega para o que realmente um paciente de AVC pode passar... Eu mesma só mexia os olhos quando acordei do meu segundo AVC.  Sei o que é, senti na própria pele, ninguém me contou, vivi.  Mas escolhi superar.  E o meu corpo e a minha cabeça foram juntos ao mesmo objetivo.

Postura positiva, sempre.  Não é facil, mas é a gente que escolhe quais os pensamentos que vão tomar conta da gente.  E os pensamentos fazem verdadeiros milagres.