31 de dez de 2011

Resoluções de 2012

Novas, nem sempre tão novas, resoluções para 2012.
Outro dia estava me surpreendendo com uma atenção um tanto diferente num filme que assistia... Reparava como as personagens mexiam os braços, o que antes era tão automático para mim (como deve ser para a maioria que lê esse post).  Como se trata de um movimento na maior parte das vezes imperceptível, me deparei sem uma memória física específica para isso.
Tento, na maior parte do tempo, realizar movimentos com o braço direito similares ao braço esquerdo.  Isso está me ajudando.  Como é um movimento diferente do andar (que você faz naturalmente), o braço tende a ficar meio preguiçoso... de bobeira, sem se mexer, deixando para o braço esquerdo as tarefas. 
Quando alguém me vê falando, não imagina pelo que passei (posso usar esse tempo de verbo, pois me considero uma vencedora, ainda em luta!).  São movimentos que começam orquestrados, mas que com o passar do tempo, são automáticos.  Acredito que chegarei num momento em que esses movimentos sairão como um dia foram, sem pensar, sem orquestrar!


Pare um momento e tente reparar nos seus músculos fazendo as atividades diárias... É disso que estou falando... É isso que conscientemente tenho feito... Resgatando os movimentos naturais, uma hora virão naturalmente. 
Isso não é um papo-cabeça, nem uma viagem de um filme de Almodóvar, como minha amiga "M" gosta de falar...É a mais pura realidade que estou encarando.
Sou preciosista sim, e acho que quem está na luta como eu deverá ser também.  Quem coloca os objetivos para superarmos uma dificuldade, somos nós mesmos. 
Longe de mim dizer que isso é fácil.  Não, não é mesmo.  Juro que tenho até um certo orgulho de quando pessoas que não me viram antes, me vejam agora.  A maior parte dos comentários é  "Você está super bem!" (tenho certeza de que não imaginam como estava antes, ou quem me viu sabe exatamente o que estou falando...).  Então vamos arregaçar as mangas e partir para o que precisamos em 2012.
Ralação, ralação e determinação!  Essas são minhas resoluões que me acompanham desde 16 de julho de 2011!

30 de dez de 2011

"Miolo Mole" - AVC

Não sei se escrevi no passado algo parecido ou não, se escrevi aguardo o perdão de vocês.
Como brinco sempre com minhas amigas, não exija muito da minha cabeça, ainda em fase de recuperação: "metade" dos meus neurônios foram queimados no meio do ano, e agora recrutei o que me resta para acumular as funções dos tostados!
Sim! Pode não ter acontecido ao pé da letra, nem eu tô sabendo me expressar "medicamente" correta.  Temos que sempre desafia-lo: o quebra-cabeça que ainda estou fazendo (ninguém merece aquele céu! Na verdade, dei uma pausa um tanto longa!); leitura: caça-palavra; palavra-cruzada, entre outros jogos...


Temos que tentar criar, tão logo seja possível, novas conexões (em substuição àquelas queimadas).  Creio que não é totalmente brincadeira minha: miolo mole serve para o novo molde, e vamos moldá-lo antes que seja tarde demais.  Pense na argila, antes de endurecer é que temos que trabalhá-la.
São nesses termos, nada médicos, que me agarro!  É um olhar de um leigo, é a leitura que faço do meu quadro agora!
Quem sou eu para entender do cérebro.  Acredito que nem o neurologista mais F da Terra, sabe de TODAS as suas funções.  Vou na minha intuição também!  (ainda bem que me restou alguma!)
Às vezes leio e me perco!  Normal no meu quadro (assim espero!).  Amanhã, ou algum dia, reterei a informação que li!  Questão de prática mesmo.
Vejo em vários outros aspectos isso acontecendo comigo naturalmente.  Um movimento que não era lá essas coisas, de repente se faz presente como se nada tivesse acontecido!  Muito doido tudo isso!
Exercícios que faço não tão bem do lado direito, e que são feitos pelo lado esquerdo com facilidade, são repetidos depois no lado direito (após o lado esquerdo) com mais facilidade de entendimento e movimento!
Quem sou eu para questionar?
O cérebro é muito doido mesmo! Ainda bem! A capacidade dele se adaptar é impressionante!  Vamos ao rumo do prêmio Nobel! 

29 de dez de 2011

Encerramento de ciclo - Feliz Ano Novo - AVC

Não tem como negar:  o final de ano mexe com as pessoas de forma peculiar...  O que deveria ser feito no ano inteiro, cismamos em manter a tradição da virada.  Pura besteira... negligenciamos um ano todo, por umas 2 ou 3 semanas.
Eu também não fujo disso, ainda mais depois de um ano tão atípico.  Essa semana tomei algumas providências: limpei a caixa de e-mail, contas do ano separadas, limpeza de alguns lugares (não posso fazer "estripulias"), doação de livros para que outros possam ler, enfim, uma limpeza geral que me ajudará de alguma forma!  Precisamos disso.  O que seria de nós sem objetivos traçados para um Ano Novo?
Minha vida está cheia de objetivos, graças a Deus e a minha força de vontade!  Não posso perder o foco num momento para mim tão crucial!
Que venha 2012 e que VÁ EMBORA 2011!  Não estou reclamando.... Foi um ano difícil, mas me permitiu várias conquistas! MUITAS conquistas!


Me descobri com uma força interna que muitos não têm!  Descobri o verdadeiro amigo/a!  Descobri um cérebro que é muito doido! (tanta coisa é possível, mas pouco sabemos...)  E posso dizer que sinto ORGULHO disso!
Enfim, foi um ano de grandes conquistas, mas também de grandes sofrimentos.  Passar quase um mês no hospital, reaprendendo tudo ou quase tudo, nos mostra o quanto somos frágeis!  Mas passou!
Não quero plagiar a dra. Jill Taylor, mas é quase um A Stroke of Insight (o título de seu livro em inglês), poderíamos traduzir como Um derrame de Luz.
Está sendo muito importante para mim passar por tudo isso sem "um pingo" de depressão, quadro comum em pacientes em recuperação de AVC.   Por isso reforço que todo apoio ao paciente, é importatíssimo.
Feliz 2012 para todos! Aproveite como se fosse o fim do mundo mesmo!  Muitas vezes esquecemos de agir no presente!

28 de dez de 2011

Wii-Reabilitação - AVC

Estava meio sem assunto, quando uma leitora do blog me sugeriu esse tema.  Muito obrigada, "A"!
Não sei se é de conhcimento de todos, mas muitas clínicas de fisioterapia trabalham com vídeo-games (de repente me senti meio "passada" ao usar esse termo) para estimular com criatividade seus clientes.
O uso do Wii e do X-Box está crescendo na reabilitação.  Neles, os clientes exercem o equilíbrio, simulam os movimentos dos braços, e sem perceber exercitam de uma maneira divertida seus membros.
Muitas clínicas especializadas em neuro-reabilitação usam os jogos como uma divertida forma de melhorar além do equilíbrio, a coordenação motora e suas habilidades motoras e visuais.  Adicionalmente a isso, o jogo serve para estimular o cérebro de pessoas com comprometimento neurológico, melhorando seus aspectos cognitivos ao resolverem problemas, seguir instruções e interagirem socialmente.


Eu mesma já me enveredei por esses terrenos.  Com um jogo divertido, simulando movimentos que usamos ao cozinhar, comecei a me divertir. 
Recebi o jogo e a placa de equilíbrio de presente do meu sobrinho e de sua família. Não poderia ser mais grata ao "P", que dentre outros aspectos tem me ajudado muito com esse blog!
Ainda não tive a oportunidade de usar a placa de equilíbrio, estou aguardando uns jogos de uma compra pela internet!
Mas o treino do boliche, do tênis, etc., tem se mostrado muito divertido.
No meu tempo livre (que não é pouco, acreditem), tenho treinado com o meu braço comprometido (melhorando a cada dia mais).  Estou começando a marcar na minha "agenda" a hora de jogar, como uma forma mesmo de treino.  Tenho que me condicionar, uma vez que não era uma aficcionada em jogos.

25 de dez de 2011

Novas reflexões - AVC

Entre os presentes de Natal, ganhei um livro que o tema principal é reinventar-se.  Já comecei a ler!  É fino, não vai exigir muito de mim.  Já acho que ele tem um ponto positivo ao citar a dra. Jill Taylor.  Nós somos escultores do nosso próprio cérebro!  Pura verdade.
Já de cara encarei duas citações que mexeram comigo: "Não é o mais forte da espécie que sobrevive, nem o mais inteligente, mas sim o melhor que se adapta às mudanças" - Charles Darwin, e a outra foi "Minha vida esteve cheia de desgraças, e muitas delas jamais aconteceram." René Descartes.
Pura verdade, não teria como descordar dos autores.  É a mais pura verdade.
Já citei em um dos meus posts como podemos tirar o melhor das situações ao se adaptar melhor.  Isso é referente a primeira citação, e é muito importante que pensemos a respeito.


Pra que nadar contra a maré, se tudo parece desmonorar?  É uma pergunta que me faço todos os dias.  Reforço para mim mesma... Ia ser TUDO mais difícil.
Quanto à segunda citação, nós somos sim responsáveis pelo que pensamos.  Vivamos o presente...não mais no passado e no futuro, que só tem uma coisa certa a respeito, que é imprevisível...
Quem diria que uma passeada no parque ia transformar minha vida? Me fez encarar novos desafios e superá-los.  Tudo mudou a partir daí!
Estou ávida pelo livro, pois minhas atividades atuais são: leitura,TV, fisio, fono, TO, Blog... Nada muito excitante, mas de extrema necessidade para minha recuperação sem sequelas!
Temos que pensar SIM que o nosso cérebro é plástico.  Tenho consciência de o quanto mais rápido voltei a desafiá-lo, melhor para mim.  Tenho que exercer o máximo de tarefas complexas, e assim criar novas conexões (como brinco, "metade" do meu cérebro teve um curto-circuito no meio do ano, não exijam (sim, EXIJAM!) muito de mim).
A vida da gente é perene... Não gostamos de pensar nisso, mas é a mais pura verdade.

23 de dez de 2011

Rei Back

Eu acho que não poderia "fechar o ano" melhor do que eu "fechei".
Showzinho com amigas e amigos para comemorar a minha batalha (que está sendo vencida!).


AMIGO
Você meu amigo de fé meu irmão camarada, amigo de tantos caminhos
de tantas jornadas
Cabeça de homem mas o coração de menino, aquele que está do meu lado
em qualquer caminhada
Me lembro de todas as lutas meu bom companheiro, você tantas vezes provou
que é um grande guerreiro
O seu coração é uma casa de portas abertas, amigo você é o
mais certo das horas incertas
As vezes em certos momentos difíceis da vida, em que precisamos
de alguém para ajudar na saída
A sua palavra de força de fé e de carinho, me dá a certeza de que eu nunca
estive sozinho
Você meu amigo de fé meu irmão camarada, sorriso e abraço festivo da minha chegada
Você que me diz as verdades com frases abertas, amigo você é omais
certo das horas incertas
Não preciso nem dizer, tudo isso que eu lhe digo, mas é muito bom saber,
que você é meu amigo
Não preciso nem dizer, tudo isso que eu lhe digo, mas é muito bom saber
que eu tenho um grande amigo




Tenho certeza que essa música, mais do que nunca representou o que tenho vivido!  Com uma banda maravihosa, amigos inspirados, e animação a mil, pude ter como fechamento de ano uma experiência maravilhosa.
Essa letra me diz muita coisa fundamental para a minha recuperação.
Obrigada "G" e "MT" (que incorpora o REI de forma tão positiva e divertida) e banda por terem me proporcionado um momento tão especial para mim!
Obrigada, AMIGAS!

21 de dez de 2011

Entre uma ceia e outra! - AVC

Muito dever de casa neste final de ano, para compensar a ausência de alguns profissionais!
A ralação é permanente, mas cada vez mais vale à pena!  Como pretendo recuperar meus movimentos do braço direito, a maior parte dos exercícios é voltada para esse grupo muscular.
Alongamento, pegar peso (quem diria que eu chamaria o halter de 2kg de peso!).  Todo dia, seguindo a minha meta, eu espero alcançar me objetivo!  Ter a mobilidade do braço reestabelecida.
Não quero ter que fazer infiltração, vou conseguir!
Muita ralação!  Atenção para trabalhar os dois braços, apesar do esquerdo estar bom.  Não desejo um desequilíbrio, nem de força, nem muscular.  Apesar de todos os exercícios serem fáceis para o braço esquerdo, tenho que fazer.
Como disse em outro post, é a hora da dedicação ao meu braço.   A perna foi igualzinha, mas como a vontade de andar era grande, o sacrifício foi igualmente grande.  Agora vamos ao braço.
Espero que eu dois meses de dedicação ao braço, eu consiga.  Daqui a dois meses eu falo se deu ou não, mas, pelo que eu espero, tenho certeza que dará.
Graças a Deus estou a cada dia melhor!  Tenho que voltar a treinar a minha caligrafia, que (não vou mentir não!) deixei de lado um período.
Como disse estava ficando exausta ao escrever um parágrafo.  Com tantas atividades e exercícios, sei que tenho que voltar.



Todo mundo fala para mim o por quê de querer escrever, se eu posso usar o computador no lugar.  Preciosismo mesmo!  Sou old-school.  Gosto de pegar numa caneta para escrever no papel!  Meio fora de moda, mas é assim que eu funciono!
O computador, realmente, poderia me ajudar... Mas o que vocês acham que estou fazendo ao escrever neste blog?
Imagino que é como aprender a dirigir em um carro automático... Na hora que você tem que pegar um câmbio manual, vc mal consegue sair do lugar...
Tem que ser genérica nessa hora mesmo... Só assim as funções vão voltando!

20 de dez de 2011

Nova fase - AVC

Tomando de volta as rédeas da minha vida...
Acho que esse é o mais novo tema da minha história.  Re-arrumando a casa após meses de improviso.  Outro dia fui procurar uma coisa e não achei... Queria o meu pen-drive, para ver um filme na minha TV.
Quem disse que eu achava?  Além de ser pequeno, pode ter ido para um canto que nem imagino (meu cérebro nem chegou lá!)
Como minha amiga "C" disse no fim-de-semana, eu estou voltando a ter o ilusório controle da minha vida.... Pura verdade.  Sem considerar que passei um determinado tempo fora-do-ar, agora é a hora de começar a reconstruir minha vida!



Eu, que sempre soube onde tudo estava (mesmo dentro do minha bagunça), preciso encontrar os caminhos que me levam a essa organização.  Treinada, cada dia eu vou achando algo perdido em minha memória.  Às vezes eu me surpreendo com o que "aparece".
Nomes, lugares, memórias, fatos, tudo tão próximo de mim, mas que por algum tempo se distanciou, estrategicamente.  Agora, parece que me encontro mais "oxigenada", pronta para recolher os cacos e reconstruir o "vaso".
Estou na fase de jogar coisas no lixo, literalmente! Abrir espaço para o novo, começando pela vida que é nova!  Eu tenho que pensar que tive essa oportunidade.  Podia, como muitos sabem, já ter ido pro béléléu!
Mas não!  Cá estou com a energia renovada!
Nada de "vitimismo", e sim de OTIMISMO.
Aos poucos vou reconstruindo minha vida como aquele quebra-cabeça.  No início sem muito sentido, mas depois com a construção harmônica de uma vida, sem perceber, mas percebendo os mínimos detalhes.

19 de dez de 2011

Calendário

Outro dia minha amiga "C" me levou ao lançamento do calendário de uma instituição de Brasília que trabalha com portadores de Síndrome de Down.  Trata-se de uma iniciativa da minha fisioterapeta "N", que por caminhos da vida criou essa fantástica instituição!
O nome é Ápice Down... Desejo muito sucesso a eles!
Mas nessa oportunidade encontrei uma fisioterapeuta que ficou comigo por uns 20 dias, "P", mas que foi igualmente importante como "N" e "M"...
Lá ela disse que reparou em mim fazendo os movimentos com a mão comprometida.  Para quem não sabe, acha que esse movimento é normal, mas é feito milimetricamente pela minha cabeça (Quando eu digo que disfarço bem, eu disfarço bem).



Tudo com o intuito de parecer naturalmente "normal", mas com um esforço que em breve eu acho que será automático.   Será assim até recobrar a naturalidade dos movimentos.
Estava me lembrando que na penúltima, última campanha (não sei, esqueci mesmo) da presidência dos EUA, haviam pedido que o então candidato à presidência, Al Gore, segurasse sempre uma caneta em sua mão (ou direita, ou esquerda, sei lá) para disfarçar uma certo peoblema que tinha.
A minha estratégia tem sido essa (pronto, contei o segredo).  Manter a mão ocupada com o intuito de estimular sua atenção em algo!  Assim eu não me incomodo, nem deixo aparente às pessoas que não sabem o que tive.
Não, não é pro vergonha!  Mas sim eu acredito que estimular o uso da minha mão será muito útil depois.  Uma hora se tornará natural!
Mas como foi boa essa observação!  Sei que no fundo, no fundo, o esforço está sendo compensado!

Reflexões - AVC

Dentro do último tema comentado, gostaria ainda de fazer algumas considerações...
Posso dizer que realmente minhas amizades e minha família foram fundamentais na minha recuperação!  Nada de momentos de comiseração, pensando o porquê isso me aconteceu!
Já não bastasse o outro evento a que me submeti, ainda tive que passar por outra "provação".  Não posso culpar Deus por isso, seria muito injusto.  Como no livro que indiquei, ele explica que Deus não seria injusto com crianças inocentes, etc, porque não soube administrar bem as mazelas da vida.  Mas por outro lado, ele explica o que nos faz superar tais eventos: as amizades.  E isso eu posso falar de camarote!
O que seria de mim sem os reforços diários de que ficaria boa?  O que seria de mim pelas horas dedicadas por minha amiga para a recuperação de minha fala?  O que seria de mim sem indicações de profissionais "fora de série" para me recuperar? O que seria de mim sem a tranquilidade de uma irmã ao cuidar de mim?  O que seria de mim sem encontrar uma estrutura pronta para me receber quando saí do hospital?  O que seria de mim sem as profissionais que me deram TODA a assistência quando nem sabia quem eu era?  O que seria de mim sem telefonemas/mensagens de apoio ao longo desses meses?



Eu tenho uma certeza:  eu não superaria como estou superando!  Sei que tenho uma parcela de responsabilidade, mas nada como tantas figuras para me ajudar!  Isso sim eu acredito ser uma responsabilidade Dele (e minha, não posso negar!).
Como todos temos aquele lado "piegas" no final de ano, prometendo uma série de novos objetivos para o ano que se inicia, eu AGRADEÇO.  Esse meu período vai ser basicamente de agradecimentos, que não são poucos. Não farei piadas, pois este é um assunto sério.
Sou mesmo agradecida por cada segundo de atenção.  Não precisei pedir atenção, ela veio gratuitamente.  Então fica aqui meu registro para todos que de alguma forma participaram nesses pensamentos, que este para mim é o verdadeiro espírito de Natal.  Não basta ser boa samaritana apenas entre o Natal e o Ano Novo, tem que ser o ano todo!  Isso eu vi!
Feliz Natal a todos! (pense em multiplicar essa idéia!)

18 de dez de 2011

Livro II - AVC

Outro dia fui a casa da minha amiga "T" que teve uma nova filhinha.  Linda como deveria ser!
No meio de nossas conversas, ela e o marido me sugeriram a leitura de um livro, com um título não muito agradável, que eu deveria ler.  Como sou curiosa ao extremo, no dia seguinte fui procurar o livro.
Chama-se "Quando Coisas Ruins Acontecem Com As Pessoas Boas", de Harold Kushner.  Leitura rápida, meio filosófica, mas que vale a pena para quem sofreu tragédias pessoais.


Longe de mim de querer fazer propaganda aqui, ou qualquer alusão a uma religião, mas acho que a leitura poderá te enriquecer de alguma fora.
É o tipo de livro que você lê numa "tacada".  Rapidinho mesmo.  É escrito por um rabino, e fala da interpretação dele do livro de Jó, que trata do tema do livro, entre outros...
Como aqui já falei, não tenho a mínima pretensão de discutir aspectos religiosos.  Mas leia!
Não indico apenas para pacientes que sofreram um AVC como eu, mas para aqueles que infelizmente passaram por algum problema, pessoalmente ou com alguém próximo.
Não pretendo aqui escrever, nem estragar uma possível leitura do livro.  
Ele consegue fazer com que a gente pense de uma forma diferente.  Isso é muito bom!  
Como devemos valorizar o hábito da leitura, fica aqui uma sugestão!
Boa leitura!

17 de dez de 2011

Como me senti - AVC

No primeiro momento não foi fácil para mim, uma pessoa tão independente, sozinha e guerreira, me ver em uma situação em que eu dependia de tudo e de todos.
Minha crista já baixou aí, pois tinha que me adaptar, ou por bem ou por mal. Vamos facilitar, já que não é muito (NADA) fácil.  Esse foi o meu pensamento inicial... E acho que deu certo!
Enfermeiras, minha irmã comigo, mudar o esquema da minha secretária (que vinha apenas 1 vez por semana, para 3).  Enfim, muita mudança para quem vivia de uma forma bem tranquila e sem muitas intervenções.
O segredo está em adaptar-se às situações.  Se você lutar contra elas (atenção, não digo aceitar), tudo vai correr mais travado.  Aprendi que o ser humano é super adaptável.  Tô pra ver situação que a gente não dê um jeitinho.


No meu caso, desde o início em casa sem fazer nada, eu estipulei metas.  Sabia que o que estava passando seria transitório.  E assim passo a viver.  METAS!  Elas fazem parte do meu dia-a-dia.  Sem elas, tenho certeza que pouco alcançarei.
Um braço que dói menos é uma comemoração.  Sempre fui contra tratamentos invasivos, então uma infiltração no meu ombro está fora de cogitação.  Como fiquei feliz em ver com a dor do ombro reduzindo....
Sei que não é nada fácil a adaptação a uma nova realidade.  Mas temos que fazê-la.  Tenho certeza que tudo passará e que eu voltarei a minha rotina.
Assim é mais fácil para pensar!  Tudo se torna mais fácil (o que parece difícil) nessa situação!

16 de dez de 2011

5 meses do AVC

Hoje, dia 16 de dezembro de 2011, completam 5 meses do meu primeiro AVC.
Passei por muita coisa nesse curto espaço de tempo.   Tem sido um aprendizado constante!
Posso dizer que nasci de novo, desde os primeiros passos, literalmente!
O que conquistei ao longo desses 5 meses?  Muita coisa!
Primeiro, posso dizer que não parecem 5 meses desde o ocorrido.  Como me mantenho MUITO ocupada, o tempo tem passado muito rápido.


Segundo, acho que bati todos os recordes de minha maratona pessoal!
Me lembro de um dia no hospital, quando ainda não havia reunido em minha cabeça dados a respeito do meu e de outros derrames e perguntei (dentro da minha ansiedade natural) à enfermeira da UTI quanto tempo eu levaria (por alto) para me recuperar... Me lembro de sua "saída" diplomática de não falar o tempo.  Estava certíssima! Cada caso é um caso, e cada corpo responde de forma diferente à recuperação.  Depende, principalmente, de sua memória muscular.  Se exercise sempre!
Com certeza esquecerei de alguma coisa importante a qual esqueci de mencionar.
Muito aprendizado, sem sombra de dúvida!
Perservarança, esperança, esforço, otimismo, superação, e muitas outras qualidades, fizeram parte da minha rotina ao longo dos 5 meses.  Me sinto uma vitoriosa (modéstia à parte)!
Muito aprendizado!
E aqui não posso deixar de agradecer a todos que me deram apoio nesse período.  Um obrigada especial a Dra. "N" que rapidamente, e com muito conhecimento de causa, me colocou no prumo!  O que seria da minha recuperação sem ela?  Até hoje me pergunto se teria a mesma sorte? Impressionante como até hoje ela consegue me surpreender! (e obrigada à "C"que me indicou!).
Me surpreendo com a reação das pessoas que souberam o que aconteceu comigo.  Para a maior parte, eu estou igualzinha a antes!  Isso já resume a minha recuperação...
Não parei, e não pretendo parar nos próximos meses.  Agora a minha meta, como minha amida "D" comentou, é de 120%!
Tenho muita luta pela frente!
Mas quem sou eu para esmorecer?
Como já falei há um tempo atrás, "vaso ruim não quebra!", e complementado pela Tia "M" "temos ótimos restauradores!".
O desafio da pessoa que sofreu um AVC/AVE é transponível!  Lute para ganhar dele!

15 de dez de 2011

O Escafandro e a Borboleta - AVC

Relutei muito ao resolver fazer referência a esse filme/livro aqui.
É muito impressionante, mas faz bem o ponto de vista de um paciente pós-AVC.
Acho que indico esse filme/livro para aquelas pessoas que estão prontas para saber lidar com o problema.  Nada melhor do que o ponto de vista de um paciente pós-AVC para colocar as pessoas cientes do que ocorre naquele caso.  A visão meio turva, as palavras não imediatamente entendidas, a comunicação entre o paciente e seus amigos (passei por essa fase mostrada no filme de forma MUITO rápida), a sensação de aprisionamento em seu próprio corpo, tudo vai ajudar as pessoas a compreenderem a luta particular de um paciente, pelo menos um pouco.


Em algum momento do hospital eu interagia com o mundo externo daquele jeito. A "Locked-in Syndrome" (Síndrome do Encarceramento) me rondou apenas alguns dias (nem me lembro).  É incrivel pensar que uma pessoa escreveu um livro naquelas condições (prefiro não estragar a "surpresa").
Não havia assistido ao filme até então.
Fica então uma referência caso achem interessante.  Não é um filme leve, já aviso desde logo, mas caso tenha curiosidade vale a pena.
Como a nossa vida está sobre um "fio de navalha" e nada podemos fazer!  O filme nos dá bem essa sensação...
Me serviu para indicar a uns profissionais que lidam com AVC (ok, vou usar a terminologia correta - AVE), e para sempre lembrar de um jeito que passei, mesmo que não tenha lembrança.

14 de dez de 2011

Visão - AVC

Já queria ter escrito há algum tempo sobre minha visão... Agora vai.
Minha vista não está 100%.   A sensação que tenho é que tudo tá meio fora de foco, ou então que eu tenho que, conscientemente, focar.


Os médicos dizem que isso é normal ao meu quadro, que eu tenho que dar um tempo para o meu corpo físico se curar. 
Mesmo não dirigindo, a sensação é que estou bebinha.  Costumo brincar com as minhas fisios que numa sessão eu irei tomar uma latinha de cerveja para ver se "conserta" isso.  Vai que de repente me alinha!  Falta de equilíbrio nunca mais.
Já ouvi relatos de pessoas que ficaram com a visão periférica comprometida. Acho que não é o meu caso.  Tenho 100% do meu campo visual, mas fora de foco...
A sensação para vocês entenderem é como se eu visse meio perdida um filme 3D.  Você enxerga, mas não 100%!
Parece que eu não tenho problema com 2D... Mas 3D, definitivamente, exige um esforço dimensionalmente maior para mim.  Espero que passe...
Na verdade eu terei que me "render" aos óculos para perto, mas isso é outra história.
Já consigo ler!  Já fiquei sabendo que corria o risco de esquecer de escrever e ler.  Me livrei dessa!
Não me lembro bem, mas minha prima-irmã-amiga "F" fez o teste da leitura ainda no hospital... Passei com 10!
Entre na área focal da pessoa para ela te ver sem muito esforço.  Movimentos até então básicos com os olhos, podem deixar tonta... (por incrível que pareça!)
O corpo é por demais complexo!  Quem somos nós para questionar e acertar?  Pense.

13 de dez de 2011

Idéias - AVC

As idéias vão rareando (nem sei se esse verbo existe).  No início temos muitos assuntos, porque temos muitas pequenas-grandes vitórias.  Depois é a luta para recuperar coisas que passam desapercebidas de meros mortais.
Sim, eu me considero um ser à parte dos meros mortais.  Até mesmo por já ter encarado a tão temida MORTE (ninguém gosta de tocar muito nesse assunto, e com razão), sou diferente mesmo! É meio piegas, mas é verdade: a gente passa a encarar a vida de uma perspectiva diferente, ou como gosto de dizer "Só passando por uma experência dessas, é que você é enquadrado na real".
Não posso e não vou desistir de minha luta pelos 105%.  Acho que devo ter direito a isso! 
Recuperar movimentos finos não é fácil, mas também não é impossível.  Quero voltar a andar graciosamente (que bobagem, né?  Mas é importante para mim.)  O esforço descomunal para escrever meu nome já dá um pequena exemplo do que quero dizer.


Comecei na minha TO (Terapia Ocupacional) a desenvolver atividades com minhas duas mãos!  Quem diria que eu não me lembro mais como se faz um barquinho de papel!  Você aí lembra?  Dá uma tentada...
Pois é, sem querer enganar ninguém eu tive que recorrer a uma cola.  Não sei se é coisa do AVC ou não, mas não me lembrava.
No final, colando ou não, deu certo.   Coisas simples que terei que treinar à exaustão.  Coisa de criança mesmo.
Não posso desanimar nesses momentos, tudo faz parte da recuperação.
Antes as vitórias pareciam grandes, e hoje nem tanto... Pura ilusão de ótica!  Tudo é importante!  Toda vitória nesse processo tem que ser comemorada como se fosse a primeira!
Não repare se não der para escrever diariamente, tá faltando assunto (até mesmo porque estou exausta).  Como disse em outro post, (esqueci o que ia escrever...).
Assim é a minha nova dinâmica.  Não desistirei!  É ralação mesmo, mesmo dando a impressão para os outros que eu não faço nada.
Cada dia é uma novidade!  Tenho que me esforçar mesmo para ter minha recompensa (parece papo de adestrador de cachorro)!
Com um novo desafio vencido, partimos para o próximo!

12 de dez de 2011

Aniversário - pós-AVC

Dois meses e meio depois do meu AVC, eu comemorei meu aniversário.  Como minhas amigas chamaram, foi uma celebração à vida.  Estava de andador (hoje estou sem nada!). 
Para muitas a surpresa foi enorme.  Depois de me verem na UTI como eu estava, nem acreditavam no que estavam vendo.
Uma alegria em ver as minhas amigas unidas mais uma vez para verem meu sucesso!  Eu disse na época que não era eu quem devia ganhar os presentes, mas sim cada uma delas!  A motivação que tive de cada uma delas não tem preço.  Sei o quanto tudo foi importante para me ajudar. 
Não fiz discurso, pois me econtrava em meu momento "manteiga-derretida" (sim, eu também passei por ele, mas passei MESMO).
Hoje vejo o quanto foi importante para mim, e para elas, me verem tão bem, depois de ter passado por momentos um tanto punks no hospital.


Como só tinha mulher, foi um momento "meio calcinha", por assim dizer.  Pensei em chamar um "cueca" para participar, mas pensei bem... Com tantas mulheres por perto, falando sem parar, ele ia ficar meio deslocado.
Aliás o único "cueca" que tinha era o "L", filho de minha amiga "CII", minha fonoaudióloga!
Chamego total da turma ao ver aquela criança tão linda!  Até metido ele estava... Esnobava os olhares como já se fosse craque no assunto!
Na hora do "Parabéns pra você" teve o momento dele!  Eu agradeço desde então à atenção dirigida a ele.   Escapei de ser o centro das atenções por aquele momento, deixando de lado pedidos de discurso para o meu bem.
Não tenho palavras para agradecer o carinho de "F" em preparar com tanto amor e carinho aquele encontro.
Hoje vejo que foi importante não apenas para mim, que exibia literalmente os meus avanços, mas como foi importante para todos ao verem que eu estava muito bem! Só evoluções!
Acho que o astral da noite foi meio que uma "cura" para todas nós!
Sim, é possível estar bem com tanta energia genuinamente positiva!

11 de dez de 2011

Enferrujada - AVC

Fiquei sem postar por alguns dias, e já vejo que estou "fora de forma".  Posso dizer que esses últimos dias foram um tanto cansativos para mim, uma vez que me encontro "enferrujada".
Final de ano é sempre regado de comemorações, e eu participei de algumas esta semana que passou.   Para quem está acostumada a dormir cedo, dormir 2 dias seguidos depois da meia-noite é muito!  Sendo que eu continuo com a minha ralação matutina.  Não nego fogo de jeito nenhum para a minha fisioterapeuta!
O que também acontece é que eu não consigo dormir até mais tarde, e nem consigo me render aos braços de Morfeu à tarde!  Então já viu... Cansaço acumulado, mas nada que uma boa noite dormida não resolva!
As comemorações estão à mil!  Ainda bem!  Não posso negar fogo a nenhuma delas, pois tenho consciência de o quanto meus amigos foram fundamentais para o meu bem-estar!
Eu tenho é que agradecer! 


Não tem preço ouvir o que eu ouvi outro dia... Minha amiga "P" me ligou no dia seguinte de uma das comemorações.  Ela me disse que quase chorou ao me ver indo embora andando normalmente, como se nada tivesse acontecido!
Tenho ido às comemorações sem bengala, e encontrado muitas pessoas ou que não haviam me visto, ou que viram logo após a minha saída do hospital!  Costumo dizer que eu sou o maior "171", pois hoje ninguém sabe me vendo pelo que passei!  Eu disfarço muito bem... rsrsrsrs
O que quero aqui dizer, é que para as pessoas que há muito não me vêm que eu quero agradecê-las também.  Sei que fui "objeto" de muitos pensamentos positivos, de mutas orações dedicadas à minha pessoa, e que hoje eu tenho ORGULHO (por que nós católicos temos vergonha de usar essa palavra?), sim tenho muito ORGULHO delas me verem assim tão bem!
Estou a 80% do meu esperado, e não tenho vergonha de dizer que ficarei a 105% do original de fábrica!
Isso mesmo, 105%.  Ninguém tirará isso da minha cabeça!  Me aguardem e verá com os próprios olhos!
Com a devida ralação tudo é possível!

8 de dez de 2011

Malhação do braço - II - AVC

Cara, eu vou te falar!  Tá difícil!  Nunca pensei que um "pesinho" de 2kg ia me dar tanto trabalho!
A sensação que eu tenho é que ele pesa uns 6kg, 8kg, como estava acostumada a malhar.  Então não vou com a desculpa que eu tenho força, pois no momento isso não é verdade!
Exige muito do meu corpo... Tem algumas sessões de fisioterapia que eu chego a pingar de suor (verdade!).  E olha que até então eu achava que fisio era "moleza".
Sem comentar que há dias que um dos meus glúteos (mais decente falar assim) vem doendo.  Sento à noite na minha cama sempre com um saco de água quente, na tentativa de aliviar a dor...
Como "MP" já dizia: "No pain, no gain!" (mais ou menos "Sem trabalho nada se alcança").  É lógico que com o tempo que malho já sei qual é o meu limite para dor!  Como gosto de dizer, "aquela dor gostosinha"!



Tá valendo e muito à pena!  Meu dia só se resume a exercícios!  Um fim-de-semana que me dediquei mais ao braço, sem necessariamente estar acompanhada da fisio (gostaria de dizer que todos os exercícios foram orientados por elas), já comecei a sentir menos dor!
Minha ajudante "E" fala:  "Adriana, você não para um segundo!"  Eu posso dizer que é quase verdade!
Estou sempre em busca de algo para fazer! E acredito que graças a esse meu espírito tenho tido uma recuperação que para muitos é miraculosa!
Eu costumo brincar que no momento não me chamo Adriana, e sim recuperação!  Só vou tirar uma folga quando ficar "boa".  Como digo vou tirar umas férias merecidas em alguma praia deliciosa desse Brasil e vou aproveitar para levar meu "anjo-da-guarda" para descansar também, porque ele merece, e MUITO!
Estou totalmente dedicada a isso!

7 de dez de 2011

Natal - AVC

Para quem me conhece bem, ir a qualquer shopping requer um esforço... Diferente de muitas mulheres, eu prefiro não ir a shopping, se duvidar nem ao cinema (deculpe minha amiga "P")....
Esse sábado eu não escapei dessa aventura... De um almoço inocente, parti com a minha prima-irmã-amiga "F" e minha prima  "Is" em rumo a uma aventura não experimentada. Um pequeno-grande shopping de Brasília em busca de um presente de amigo-oculto.
Não dei conta....  Ou melhor, dei conta mas precisei ir embora rápido.
Como sou uma pessoa que disfarça muito bem, quase uma ninja, já estou ensaiando meus passos sem bengala...  Além disso, o braço comprometido fica apoiado na bolsa à tiracolo.  Ou seja, quem me vê não acha que eu tive o que tive!
Isso não quer dizer que a culpa é deles, mas sim que eu devo "sinalizar" de alguma forma o "tome-cuidado".  Pessoas cruzando a minha frente, esbarrando em mim, mil estímulos, sonoros e visuais, para dar conta. Conclusão: não dei!   Me tira daqui o mais rápido possível!
Não gosto de usar a bengala, mas estou reconhecendo que ela tem as suas vantagens!  Ela serve como um sinal para terceiros que há algo de errado com a minha pessoa.  Elas se desviam de mim, são mais gentis (por que não o ser o tempo todo?).  Enfim, é mais seguro para mim.
Prefiro nesse final de ano me render à tecnologia e fazer minhas compras online.  Reconheço as limitações de você não pegar o produto na mão, mas sei que entenderão meu gesto (desculpinha esfarrapada, mas cola!).
E assim tem funcionado.
 Shopping agora só para ir ao cinema, teatro!  E de bengala.  Afinal de contas estou experimentando aquela experiência da fila preferencial, que às vezes não tem nada de preferencial.
Sobrevivi (literalmente) a mais um Natal!
Boas Festas a todos!

6 de dez de 2011

Inspiração - AVC

Hoje foi um dia que não me bateu "aquela" inspiração.  Tenho sempre uns posts já escritos para esse tipo de imprevisto.  Mas já os usei!
Muita correria, pra variar.  Muita fisio, fono e uns minutos de mera mortal com minhas amigas na tapioca.  Como faz bem!  O café no lugar do velho chopp.  Conversas excelentes.   Como faz bem essa "terapia".  Tava sentindo falta.  Pela primeira vez pós AVCs fui à pé!  Satisfação garantida.


Fui numa academia ao lado de casa para ver o preço que fariam para mim.  Já estou pensando que em breve terei "alta" para uma musculação direcionada!  No momento terei que fazer ao lado de casa, e não onde costumo (e onde tenho grandes amigas), pois não terei carro por um tempo...
Pode ser coisa da minha cabeça, mas acho que estou no caminho certo quanto ao meu braço.  Duas vezes ao dia tenho dedicado uma meia-hora só para o meu braço.  Meu intuito maior é me livrar da dor excruciante que me aflige! Fico feliz ao ver que está dando certo minha malhação particular!
Deixa eu estar mais inspirada...  Pelo visto, hoje não é o dia!
Melhores dias virão!!! (tenho certeza)

5 de dez de 2011

Sentido das palavras - AVC

O propósito desse post é pedir desculpas aos apaixonados pela língüa portuguesa se estou escrevendo alguns parágrafos sem muito sentido.
Desde que sofri meus 2 AVCs, meu raciocínio não é como antes (vejo algumas vantagens nisso).  Tenho que rever tudo que faço para ver se está a contento ou não!   Isso quando me lembro de rever meus atos!  Velho hábito de partir para novas tarefas tem me custado alguns "centavos".  É um texto que não faz mais sentido, uma conta que eu agendei para o mês errado, um guarda-chuva ou um telefone esquecido em uma de minhas saídas de casa.
Quando li o livro da Jill, ela me "alertou" para esse tipo de coisa.  É... Comprometer o lado esquerdo do cérebro dá nisso!


Como uma criança sendo educada, devo separar tudo que preciso para sair com uma certa antecedência.  A pressa, o stress do dia-a-dia não me controlam mais! (EBA) Isso sem contar as inúmeras vezes que deixo o celular no silencioso sem me aperceber!
Isso para quem fazia tudo tão automático, é meio "complicado" de administrar.
No livro ela cita que comprometendo o lado esquerdo de seu cérebro, você pode não "organizar" suas tarefas do cotidiano como antes.  O lado esquerdo do cérebro é o resposável pela nossa "organização mental".  Listas, esquemas mentais, tudo é comprometido!  Como um exemplo simples citado no livro dela, ela comenta que aqueles comandos até então tão básico.  
O que para uns pode ser uma  grande besteira para uns, essa falta de "automaticidade" (sei lá se essa palavra existe!) para outros têm uma grande importância no dia-a-dia.
Então eu espero de vocês um "desconto", caso esteja escrevendo fatos sem uma ordem muito lógica.  Isso também faz parte do meu processo de reabilitação! Me curar 100% ou 95% faz parte do meu comando do momento!

4 de dez de 2011

Juca - AVC

Para quem não sabe, JUCA é o nome do meu fiel (nem tanto), amigo de todas as horas.  Vocês devem estar perguntando porque pela primeira vez estou citando um nome completa, excluindo o meu?  Logo, logo, vocês terão idéia do que estou falando (escrevendo).  Meu companhiero de infinitas caminhadas...
Hoje desço para caminhar e me exercitar com ele à tiracolo.  Já tenho até mais um desafio:  levá-lo em sua coleira, coisa até então feita pelas minhas enfermeiras.
De agora em diante posso eu mesma levá-lo.  Suas leves "puxadas" me desafiam ao longo das caminhadas.  Bom para reestabelecer meu equilíbrio. 


Agora me vejo recompensada pelo seu olhar "pidão" como quem me chama para descer.  Mais conhecido na quadra que eu, to mundo pergunta "Esse é o Juca?   Como está a dona dele?". 
Além disso, é um excelente exercício para mim acariciá-lo!  Além dele gostar, me obrigo a posicionar os dedos corretamente.
Aos poucos vou retomando o meu moral com ele, perdido (escondido, prefiro) ao longo desses 4 meses.  Para felicidade dele, ainda não consigo "brigar" com ele no tom certo.  Acabo rindo antes de terminar o "comando".
Ele não deve ter entendido nada ao longo desses 4 meses.  Muita visita, casa sempre cheia, minha irmã que deixava ele dormir na cama dela.   No final, ele nao queria saber de mim. 
"Minha dona já não é mais a mesma!  Não me leva para passear (eu costumava descer com o bichinho 2 vezes ao dia).  Não me dá mais comida!".  Ferrou!  Pra um cachorro isso é a vida dele!
Não me esqueço do dia que comecei a andar em casa, a "cara" com que me olhou!  Parecia que eu estava ressurgindo das cinzas! (e estava)  Voltei a alimentá-lo...
Ou seja, nossa rotina voltou, sem as brigas...  Como não gostar disso?
Me espera ansioso pela manhã para nossa caminhada!  Exercício para ele e para mim!
Aos poucos a vida vai voltando ao normal, de uma forma anormal!

3 de dez de 2011

Vergonha - AVC

Em algum momento disso tudo, eu me perguntei: "Se expor dessa forma não vai me causar constrangimentos?"
Eu acho que não.  Me orgulho, e MUITO, das minhas pequenas-grandes batalhas vencidas.
Quero ajudar quem em algum momento de deparou, ou tem algum familiar se deparando com isso.  Não é fácil, mas também não é impossível. É difícil?  É muito!
Eu, uma pessoa super discreta, escrevendo um blog!  Quem diria!  Longe, e muito, da minha praia de privacidade! Mas acredito que uma semente de esperança que eu coloque aqui, já ajudará muita gente!
No início, não nos primórdios desse blog, ainda na minha cabeça, eu pensava em colocar ou não os prazos conquistados!  Tinha medo de criar frustrações.


Primeiro, quero deixar um registro para todos os meus amigos, familiares que se encontram distante de mim fisicamente.  Segundo, quero deixar para os meus "seguidores" uma esperança! (sim, eu falo com orgulho que já tenho parcos seguidores no meu blog!),e outros tantos que me seguem com suas lutas particulares!
Essa experiência pela qual passei e passo vai servir para ajudar muita gente, se Deus quiser.
Não acredito que estou expondo minha vida, mas sim minha luta.  Escrevo sempre que me bate uma idéia na cabeça, às vezes não muito legal, mas escrevo sempre que posso (sei que digitar faz parte de exercitar meus dedos, por isso muitos erros).
Pessoas que não sabem o que tive passaram a ter conhecimento do ocorrido pelo blog.  Quero que essa luta, essa luta particular, pequena, tome outras proporções!  Enfrento mais uma vez uma dificuldade de cabeça erguida! Não tenho que ter vergonha, nem melindres, por ser uma guerreira, me orgulho de ser assim!   Quero genuinamente ajudar "uns" poucos que dividem essa leitura comigo.

2 de dez de 2011

Recuperação do AVC - objetivo X

Perdi a conta de quantos objetivos eu tenho depois do AVC.  Vou presumir que estou no objetivo X.
Minha idéia inicial, e mais importante, foi voltar a andar!  Com ela re-conquistei outras coisas.  Estou aperfeiçoando agora o me caminhar, Em casa tenho dever de casa da fisio, que pede para eu caminhar de salto alto.
É lógico que eu vou andar!  Tenho certo isso em minha cabeça.  Atenção minha amiga "I"! Vou colocar uma pressão em você também! Por favor, vamos voltar nessa luta juntas!
Nesse novo período de andar em casa da salto alto (e olha que tenho muitos saltos!) me senti como uma criança que rouba os sapatos da mãe e se fantasia com isso.  Muito desengonçada, meio Monalisa na caminhada!  Em breve estarei literalmente com os saltos aos meus pés!
Mas minha idéia ao escrever esse post não era ficar divagando sobre minha caminhada no salto! Isso eu contarei com mais detalhes em outro post (Aguardem!)


Agora o meu objetivo é mexer meu braço direito COM NATURALIDADE!  Já estou mexendo com o braço, mas alguns movimentos dóem pra C.................
Ontem fiquei atenta ao que uma das minhas fisios me disse:  "Adriana, temos que nos concentrar no seu braço.  Essa dor que você sente é comum em alguns pacientes de AVC! Não podemos nos deixar ser vencidas por ela."
Dói, dói muito.  Mas todo dia eu faço um desfile de caretas longe do espelho, e me forço um pouco mais!
E olha que eu na minha leiguice achava que se eu fosse sentir alguma dor na recuperação dos movimentos, seria na área do quadril.  Ledo engano!
Se eu fosse um quadrípede, não sentiria essa dor!  Ironia da evolução!
Agora, diariamente, tenho feito muito exercício para meu braço.  Espero (espero não, VOU) conseguir recuperar os movimentos sem sequelas (aliás, eu não gosto dessa palavra: sequelas). 
O importante nessa minha luta é não desistir nunca!  Já conquistei muito, tenho consciência disso, mas quero mais!  Ganância, sim!  Perseverança, mais ainda!

1 de dez de 2011

Deus - AVC

Minha amiga "A" um dia me perguntou:  "Amiga, você tem conversado muito com Deus?".  Eu não caminhava e passava a maior parte do tempo na minha cama.  Respondi prontamente: "Não quero conversar muito não!  Se eu ficar aqui elocubrando porque tudo isso me aconteceu, eu vou ficar louca!  No momento basta minha oração, meu Pai Nosso e minha Ave Maria". Amém.


Se em algum momento da minha recuperação pós-AVC eu ficasse tenando arrumar alguma justificativa para o que me aconteceu, eu tenho certeza que demoraria mais tempo para me recuperar.   Por que raios, um raio cai duas vezes no mesmo local (não estou falando dos 2 AVCs não!).  Já havia passado por um belo "enquadramento" ano passado (assim que eu gosto de chamar meus "problemas"), e como se isso não bastasse, esse ano me aconteceu "isso".
Não quero que vocês achem que eu abandonei meu lado espiritual, pelo contrário, quem me conhece sabe como minha mesinha de cabeceira é.
Só acho que também deve haver uma razão para eu não conversar com ele tanto!  Tenho que encarar de uma forma prática e simples isso.  Só isso!
Um evento não tem NADA (eu disse NADA mesmo) a ver com outro!  Três médicos já me disseram isso!  UFA!
Apenas um raio (não deveria usar o "APENAS") caiu no mesmo lugar e eu estava lá!
Minha consciência é muito tranqüila!  Durmo com minha cabeça na travesseiro e muito bem, diga-se de passagem! Não desejo o mal a ninguém, entre outros males do ser cristão...
Não, não estou dizendo que eu sou a Madre Teresa de Calcutá.  Estou apenas dizendo que sou uma boa cristã, que não deseja o mal alheio...  Mas não se meta em minha vida!  Eu estou longe de ser considerada uma pessoa intrometida!
Faça aos outros o que deseja para si!
Como minha amiga "D" gosta de encerrar seus e-mails:
"Paz e Bem"