30 de jan de 2012

Evoluções - AVC


Semana de avaliação médica.  Minha neuro está super satisfeita com a minha melhora.  Como ela disse, se as pessoas me verem como estou, não imaginam pelo que passei.

Sensação de dever cumprido (sendo cumprido!!!) gratificante.  Já começando a reduzir um dos remédios, mas mantendo o outro enquanto não se tira uma dúvida.

Em março de 2012, terei "20 mil" exames no SARAH para fazer.  Literalmente devem me revirar do avesso.  Vamos ver se com isso os médicos conseguem chegar a alguma conclusão do meu caso.  Enquanto isso só trabalhamos com os "se".

Muito legal chegar e poder surpreender o seu médico com a sua evolução.  Acho que até hoje, todas as minhas consultas deixaram uma boa surpresa para todos.  Ver o resultado sendo colhido não tem preço.

Seguido à risca tudo que me é orientado.  Tem que ter uma dose de sacrifício (já não basta pelo que passei???).  Doida para relaxar com uma taça de vinho (ahhh, o meu resveratrol favorito!!!), mas ainda não é a hora.  Mais na frente tomarei o que quero.  Regular mixaria não dá não!

E a luta continua... Na ralação de fisio, fono, TO, o meu braço direito já está bem melhor.  Já deve estar uns 70%.  Rumo aos 120%! Só faltam 50!

A dedicação dos profissionais e a minha perseverança têm se mostrado uma fórmula de sucesso.  Numa hora dessas, não dá pra fazer corpo mole não.  Tem que entrar, como um peixe na água, de cabeça e tudo!

27 de jan de 2012

Nossa idade - AVC

Outro dia escutei um comentário que acredito que procede, e muito, mas nunca havia parado para pensar sobre o assunto.

Quando chegamos aos 20, 30, 40, 50, 60 anos ou mais, carregamos dentro de nós todas as idades, desde 1 ano, até x anos.  Dentro cada um de nós existe uma criança, um adolescente, um jovem, resumido, um resumo de tudo que passamos na vida.

Não devemos nos cobrar por ter um "dito" comportamento correto aos x anos de idade.  Sim, podemos tê-lo, ele faz parte da nossa vida.  Sem extremos, digo.  Aí vai a lógica que sempre está ao nosso lado, mas que nem sempre é a nossa aliada.  Isso é verdade, racionalizar nossos pensamentos e atos nem sempre é tão saudável como parece.



A força que nos faz superar determinados obstáculos deve vir de alguma dessas idades.  Temos que pensar nisso.  Ao ver uma criança, tente-se colocar no lugar dela.  O mesmo vale para o extremo oposto.

Nessa minha reabilitação, muitas vezes eu comentei que parecia uma criança meio desengonçada ao aprender a andar.  Verdade.  Em alguns momentos, não tinha a força para me alimentar... Qual a diferença entre eu e uma criança????  Nenhuma, só idades diferentes.

Não estou fazendo apologia ao meu AVC, mas estou tentando passar para vocês que os períodos da vida foram reaprendidos.  Não é aquele papo de que fui "agraciada" por ter essa nova oportunidade, mas estou tentando tirar do que aconteceu um aprendizado (temos que fazer isso se passamos por uma provação, se não a gente pira!).

Me peguei querendo muito manter determinado estado de espírito pós-AVC.  Me senti uma pessoa mais leve, mais divertida (insuportável esse papo, né?).  Para quê carregar novamente o peso, a experiência da minha idade?  Tive uma oportunidade de me recriar, e isso é tudo!

Encontro as pessoas na rua e elas dizem: "Cara, você tá ótima!  Nem parece que passou pelo que passou...", como encontrei minha amiga "R2"...

Sim, só eu sei pelo que passei.  Mas não acho esse comentário "pejorativo, negativo" de forma alguma.  Mostra que estou fazendo bem o meu dever-de-casa, e que tive a oportunidade de reverter o meu quadro (cada AVC, é um AVC!!!).

Tem sido surpreendentemente positivo encontrar com as pessoas.  Cada comentário desses me dá um gás para seguir mais dedicada à minha recuperação.

Podemos sim viver nossas idades, e não necessarimente nossa idade! Temos que encontrar em qual delas achamos nossa força para um determinado momento.

25 de jan de 2012

Let it go - AVC

Deixe acontecer.  Essa é uma dos possíveis significados para a expressão acima.

E o que acontece com os AVCs é um pouco disso.  Por mais que você queira fazer um determinado movimento, parece que ele é independente de nossa vontade.  Só acontece quando ele quiser.

É lógico que muito depende ainda de nossa força de vontade, mas que determinados movimentos têm vontade própria, isso é verdade.  Não é à toa que os profissinais usam o termo tronco-caudal (da cabeça aos membros) para denominar esse "fenômeno".

O pé vai ter a sua hora de mexer, assim como as mãos.  Cada lesão é uma lesão (cada AVC é um AVC)!  Tenham isso em mente! 

Muito na ansiedade de conseguir mexer o que antes era tão natural, nos frustamos com a ausência de sucesso.

Do nada, essa semana, consegui colocar meus braços atrás da cabeça (sabe aquela posição quando estamos com preguiça, relaxados??).  Felicidade única.  Sei que está diretamente relacionado com os exercícios que estou fazendo, mas mesmo assim não deixo de me surpreender com essa pequena vitória.

Tentei por muito tempo isso, parecia impossível para mim.  Muita dor, não conseguia elevar os braços.  Por mais que tentasse.  Falei aqui que iria me dedicar (e muito) ao braço direito.  E estou!

Não devemos nos sentir frustados quando um movimento não acontece.  Ele tem sua hora certa.  Sua vontade própria.  Por mais que imaginemos que temos controle sobre nossos membros, não temos.  O cérebro tem!  E ele é muito doido!  Vai entender?!

Não sou da área médica, nem pretendo aqui falar (escrever) verdades absolutas.  Mas têm coisas fora de nossa compreensão.  Parece algo místico (assim prefiro pensar).

Conjugada com minha fisioterapia, voltei essa semana a fazer acupuntura que há tempos não fazia.  Dei uma tarefa e tanto para o meu acupunturista.  Chegar com problemas de fácil solução não têm graça, não é mesmo???

Tenho muita coisa a equilibrar no meu corpo, e acredito sim em  medicina oriental!  Faço o que está ao meu alcance para melhorar.  Estou cheia de "esparadrapos" com sementes!  Tenho fé nisso, e isso é o que importa!

Com certeza passarei a ter um ganho maior na minha reabilitação com a acupuntura. Como tudo, é uma questão de tempo.

23 de jan de 2012

Ano novo chines - AVC

Hoje, 23 de janeiro de 2012, é o ano novo chines, dando início ao ano do dragão.  Como tradição de qualquer ano novo, seja ele oriental ou ocidental, ano novo sempre nos remete à limpeza de tudo (emocional, espaço, ambiente).

Não sou eu quem escreve, mas aí vai um pouco do significado do ano novo chines: "no ano do dragão, as fortunas (sorte) assim como os desastres virão em ondas maciças.  Este é um ano marcado por muitas surpresas e atos violentos da natureza.  Os temperamentos ampliarão e todos estarão encenando alguma revolta real ou imaginária de encontro às suas construções.  A atmosfera elétrica criada pelo poderoso dragão nos afetará, de forma individual e coletiva, a tudo e a todos."

Também conhecido como um ano de sorte, de passagem rápida e de sucesso para as suas empreitadas.  Prefiro pensar por aqui... Acho fundamental esse rito pessoal de renovação.  Jogar fora coisas velhas, para assim entrar coisas novas...

Depois de um ano um tanto complicado para mim, pegarei carona no dragão rumo a algum lugar.  Muita força para mim na minha reabilitação.

Falta "consertar" minhas asas, e farei aqui um paralelo às asas dele.  Assim como "guerreira de Jorge", vou trabalhar muito as minhas escápulas para conseguir alçar novos vôos.

Que venha a renovação!  A esperança de que acontecerá mobiliza o universo!  Assim eu acredito!

21 de jan de 2012

Espelho, espelho meu... - AVC

"... Existe alguém mais belo do que eu???"  Como no famoso conto de fadas, nada melhor do que um espelho para eu ter a dimensão correta do meu esquema corporal.

Instalei no meu quarto, após um rápida reforma sugerida pela minha amiga "M", uma parede só de espelhos.  Além de me proporcionar uma amplitude em meu quarto (casa pequena, mas não preciso de mais...), me ajudou a ver com claridade o que está acontecendo com o meu ombro.

Braço mexendo bem melhor.  Mas o ombro ainda usa um outro grupo de músculos para levantar, dando assim uma assimetria em relação ao outro.

Como um simples espelho te faz reconhecer o seu corpo. Essa semana, em uma das minhas sessões de fisioterapia, literalmente eu recebi de dra. "N" uma aula do que aconteceu comigo, possíveis seqüelas, etc.  Tudo explicado para mim dentro do meu nível de conhecimento, uma vez que não sou profissional da saúde.

Das possíveis seqüelas do meu ombro, eu já consegui me livrar de duas.  Faltam ainda umas três que eu irei "correr atrás" para ficar zerada.

Quando você tem a oportunidade de entender o que realmente está acontecendo com você, mais fácil de processar a informação e "correr atrás do prejuízo".  Fundamental para mim essa semana ter essa aula e junto o espelho, para reconhecer assim o meu esquema corporal.

Se você puder trabalhar (fisioterapia) em frente a um espelho, melhor.  Você conseguirá uma simetria que longe do espelho vai ser difícil você se conscientizar.

Sem querer, minha amiga "M" me ajudou com isso.  Muito obrigada!

A aula foi outra coisa importante para mim.  Temos que ter consciência do trabalho que estão fazendo, o por quê, o que afeta.  Fisioterapia não pode ser apenas um série e ponto.  O profissional que nos acompanha deve-nos explicar tudo.  Como consertar, se você não sabe o que está "enguiçado"?

Uma academia particular... É quase isso que meu quarto virou... Halteres, caneleira, tera-band, etc,

19 de jan de 2012

Protesto contra enfermeiros - AVC

Por sugestão da minha prima-irmã-amiga "F", farei aqui um protesto...

Quero dizer que como já escrevi em outros posts, sou grata pelo trabalho das enfermeiras em geral...  Mas quero também aqui registrar minha indignação por alguns maus profissionais.  Profissionais?  Será que posso chamar essas pessoas de profissionais?

Já estamos cansados de ver denúncias no "Jornal Nacional" de babás com maus tratos.  Muitos pais hoje estão usando de técnicas para flagrar o que não deveria acontecer com os pobres bebês.  Vídeos caseiros, infelizmente, nos dão um panorama triste do que acontece Brasil afora (tenho certeza que em outros lugares do mundo isso também acontece).

Mais uma vez, vemos que esse tipo de tratamento não é exclusivo para inocentes e indefesos bebês.  Muitas vezes temos um mau profissional de enfermagem (seja enfermeiro, técnico, cuidador) maltratando seus pacientes...

Não é esse o meu caso.  Quero frisar que as profissionais que trabalham comigo são pessoas de toda confiança.  Com elas, graças a Deus, não tive problemas.

Mas quando você se vê numa situação na qual requer cuidados especializados, infelizmente o melhor das pessoas nem sempre nos acompanha.  Você se vê de repente submerso num "suposto casamento",  desagradável, que nem a chance de escolher o parceiro você teve, é uma situação que não desejo a ninguém.

Mas estou falando tudo isso pra chegar a outro ponto: no hospital, ainda.  Quando estava internada, no quarto, e não mais na UTI, após o meu primeiro AVC, tive a infeliz oportunidade de encarar descaso de enfermeiros.
Precisando ser atendida, com uma urgência que o meu quadro pedia, minha família se deparou com a enfermeira-chefe desfilando pelo corredor de salto 15!!!!

Nada contra o salto 15!!! Eu me considero uma pessoa vaidosa, e tão logo possa voltarei a usar meus saltos. Mas convenhamos, ele tem o lugar certo para ser usado.  Não acredito que num hospital seria o lugar mais adequado para usá-lo.  Ainda mais quando vidas estão nas suas mãos.

Como ela poderia correr, pelos corredores, numa hora de emergência???  Isso eu me pergunto até hoje.

Tive, infelizmente, o azar de encontrar uma criatura dessas no momento do meu segundo AVC no hospital.  Demorou para me ajudar?  Com certeza, sim.  Pois num momento crítico como o que me encontrava, precisaria de mais agilidade.  E logo a enfermeira-chefe....

Será que o "-chefe"  lhe dá a prerrogativa de usar salto alto num hospital???  Onde está o exemplo que ela, como chefe, deveria dar aos outros profissionais? Minha visão é MUITO diferente dessa!

Acho que o SAMU foi mais rápido quando passei mal no Parque da Cidade no meu primeiro AVC, do que a enfemeira-chefe foi no meu segundo AVC.

Quero aqui registrar o meu agradecimento à equipe do SAMU.  Mas quero também criticar o comportamento de alguns profissionias que me atenderam.

O meu segundo AVC foi muito pior que o primeiro... Será o salto?  Por que a demora?

Os profissionais de saúde têm que se vestir de acordo com a sua profissão, e não movidos pela sua vaidade.  Existem formas divertidas, mas práticas, como a profissão exige para se vestir.

18 de jan de 2012

Dedos - AVC

Há tempos tenho reparado nisso, sempre na esperaça de que "amanhã" vai melhorar... Aos poucos está indo.

Desinchando, bem lentamente, os dedos da minha mão direita.  No momento, nada de anel nessa mão.  Dá para ser mais criativa, chamando atenção para outra parte.  Pulseiras!

Parece que enquanto eu não tiver a musculatura do braço funcionando, terei a extremidade mais inchada.  Imperceptível para quem vê, mas perceptível para mim. 

Já foi um grande passo desinchar a mão, que se encontrava muito estranha para mim, já que minhas veias e tendões, naturalmente expostos, ficaram temporariamente envergonhados. 

Achava que era uma reação do hospital, um tempo atrás.  Depois de serem torturadas na UTI, minhas mãos já não tinham um formato definido, proveniente de tantas espetadelas.  Tanto a direita, quanto a esquerda!  Minha mão era uma massa, sem contorno definido, nem veias à mostra, para receber os tantos medicamentos quanto eram necessários.

Que diachos leva a equipe de enfermeiros para te espetar com tanta facilidade?  Será que não conseguiam reparar que um dos medicamentos entupia a agulha sem querer?

Na época, espasmos não controláveis (nada controláveis) impediam a mão de levar as tais espetadelas mais uma vez.  Para minha cabeça, era uma defesa da mão, como se ela fosse aparte do meu corpo.

Prometi a minha prima-irmã-amiga "F"que quando estiver correndo, que ela se prepare.  Culpa dela uma das espetadelas.  Chamou uma enfermeira, melhor dizendo uma velhinha com óculos fundo de garrafa para me espetar... Me aguarde, minha vingança virá.... Meu AVC não afetou minha memória não!  (ixe, entreguei meu trunfo - esquecer algumas coisas).

Conforme fui recuperando o movimento do braço, minha mão foi melhorando.  Ainda precisa desinchar, mas já vi que é possível!

Há um tempo atrás, achava que minha mão não voltaria a ser a mesma.  Ledo engano!  Voltou a ser ela mesma.  Agora só faltam os dedos!


16 de jan de 2012

Balanço de 6 meses - AVC


Esse post é uma balanço do que realizei nesses 6 meses, desde o meu primeiro AVC.

Por isso, elaborei um pouco mais o texto, que vem sendo escrito há mais de uma semana. No dia que comecei a escrever, o Stephen Hawking completou 70 anos. Isso já basta para exemplificar a força de vontade que existe nele, e que eu tenho certeza que existe em mim também!

Considero o meu caso um milagre. Todos os profissionais, amigos e familiares que me acompanharam essa período, me dizem isso. E eu acredito.

Não é para menos. Me lembro de que quando estava em cima de uma cama hospitalar, queria ter uma idéia de quanto tempo mais ou menos a minha recuperação levaria... Curiosidade pura... Tinha que começar a traçar metas para mim.

Sei que deixei algumas pessoas numa “saia justa”, porque não há receita de bolo. Cada AVC é um AVC em sua totalidade. Desde mobilidade de membros, na sua simplicidade, até memória, na usa complexidade.

A sensação que tenho é que eu corri contra o tempo. Na hora em que me comprometi com minha recuperação em casa, corri para ser o mais rápida. Tenho hoje a consciência que minha recuperaçao foi à frente do meu corpo físico. Tudo tem o seu tempo.

Na área de fala, posso dizer que desde o hospital minha recuperação tem sido impressionante. Já comecei a conseguir o engolir no próprio hospital, passando de uma dieta pastosa para sólidos. Me lembro o meu medo de tomar remédios sem macerar. Hoje já posso dizer que meus comprimidos voltaram a ser engolidos normalmente.

Engasguei muito nesses primeiros meses, mas a conclusão que cheguei é que era uma tosse alérgica que tinha, por conta de resíduos de fumaça de cigarro no meu apartamento (eu não fumo).

Voltei a falar muito rápido... Ainda “tropeço” em alguns fonemas, mas é imperceptível. Senti minha língua grossa por um tempo, mas já melhorou MUITO, quase normal mesmo.

Comecei a andar em um mês da minha saída do hospital. Primeiro com o andador, por uns 45 dias. Depois passei para a bengala de 4 pontas... Mais 45 dias... Depois comecei a evitar a bengala. Hoje quase não uso, somente naquelas situações em que quero que tomem cuidado comigo, pois ainda me falta um pouco de equilíbrio.

Muito exercício para poder chegar onde estou. Calculei que já passei por mais de 300 sessões de fisioterapia, presenciais ou não. Tem que se dedicar mesmo, não tem segredo nem fórmula mágica.

Estou recuperando o movimento do meu braço direito, que ainda está dolorido. Na verdade o que dói é o ombro...Questão de dedicação aos exercícios!

Não estou 100% da minha vista, mas chegou a uns 85% . Estou usando com mais frequência meu óculos de leitura, coisa que deixava acumulando poeira e conseguia me virar bem sem eles.

A dor do meu pulso praticamente zerou... Exercícios fazem sim milagres!

Tenho que treinar muito a marcha. Brasília nessa época não coopera para eu treinar. Tenho que andar muito, até que isto volte a ser uma coisa natural para mim.

Muito treino de escada, desce e sobe. Já consigo subir e descer sem apoiar as mãos, mas tenho que prestar atenção para não pisar for a do local certo.

Comecei a fazer duas coisas ao mesmo tempo. Nada muito elaborado, mas importante, já que antes eu só fazia uma coisa de cada vez.

Minha pinça está bem melhor. Já consigo colocar brincos, colar, prender o cabelo (antes de cortá-lo), colocar perfume apertando o “spray”... Coisas que antes eram tão fáceis, mas que hoje tomaram uma nova perpectiva em minha rotina.

Todo dia ainda exercito meu braço direito: no banho, escovando os dentes, passando coisa no pão, comendo já com a mão direita. Minha escrita ainda está a desejar, mas não precisei mudar minha dominância (destra!). Escrever ainda me cansa, mas digitar já é bem mais fácil.

Minha fisio “N” pediu para eu não ir pra academia ainda, pois estou sem nenhuma seqüela. Ela me explicou que “tem medo” que eu reforce algum movimento errado, que possa vir a desenvolver uma seqüela não existente. Vou obedecê-la, pois “em time que está ganhando não se mexe”.

Concluo que foram 6 meses de ganhos inestimáveis para mim. Para quem passou por dois AVCs e está do jeito que estou, não tem explicação...  Esse é um dado muito importante que peguei do livro da dra. Jill.  Não pense que o seu limite é de 6 meses para sua recuperação.  Podemos evoluir muito depois desse período.  Aquele papo de que "se você recuperar os movimentos em 6 meses, não recupera mais" é balela.  Ninguém bota os limites, a não ser nós mesmos. 

Reforço aqui o quanto é importante a escolha de bons profissionais. Sem eles nada é tão fácil. O estímulo certo, na hora certa, não tem igual! A resposta do seu organismo é diferente.

Não deixe de comer comida saudável, de se excercitar com regularidade, nem de conhecer sua pressão. Tudo bem que nenhum desses fatores me livraram do AVC, mas tenho certeza que foi por conta de todos esses fatores que me recuperei tão bem... Meu corpo tinha uma memória, e eu precisei dela numa hora muito crucial para mim.

Tenho muito o que melhorar, sim. Esse é o meu mais novo lema. Mas chegar até aqui já está sendo uma vitória e tanto. Quero que vocês saibam que isso não é impossível. Com dedicação, boa orientação e força de vontade conseguimos superar obstáculos.

Cada caso é um caso, eu sei... Mas vamos fazer o que está sob a minha responsabilidade. O reforço positivo que minhas amigas me deram, e me dão, é fundamental para eu acreditar que ficarei boa (para muitos, eu já estou 100%).

Até treino com salto alto em casa estou fazendo, believe it or not! Como criança que rouba o sapato da mãe, estou aos poucos me aventurando em tamanha aventura. Sei que uma hora dará certo.

Essa semana comecei a treinar no “Balance Board” do Wii. Equilíbrio será o meu ponto-chave daqui por diante, além do braço.

Tenho muito o que comemorar, mas tenho muito o que trabalhar também!  Feliz 6 meses pra mim!

15 de jan de 2012

Derrame - AVC - AVE

Ultimamente tenho escutado uma confusão que tem se feito muito presente.  Derrame é a mesma coisa que AVC, só que é uma denominação mais antiga...  Mas no fundo, tudo é a mesma coisa...

Acho que antigamente nossos pais usavam a "palavra" derrame com mais frequência que hoje.

Os profissionais da área usam um termo mais correto ainda: AVE (acidente vascular encefálico), e não AVC.  Isso porque o AVE(acidente vascular encefálico) é um termo mais geral. AVC(acidente vascular cerebral) significa que a lesão encontra-se no cérebro.

Para perceber isso, é preciso perceber primeiro que o encéfalo é composto por:
- Cérebro e os seus dois hemisférios
- O diencéfalo (tálamo, hipotálamo)
- O tronco cerebral (mesencéfalo, ponte e bulbo raquidiano)
- O cerebelo



Todas essas áreas podem sofrer acidente vascular, não só o cérebro. Daí que o mais correto seria AVE e não AVC, a não ser que haja certeza que a lesão esta localizada no cérebro. Ai pode se dizer AVC.

Trata-se de uma pequena confusão que tem deixado algumas pessoas meio perdidas.  Naturalmente, pois só quando a gente passa por algo parecido, ou algum familiar, é que a gente passa a se familiarizar mais com os termos.

Antes disso tudo acontecer comigo, eu não fazia a mínima idéia do que se tratava.  Sabia que era uma coisa "ruim".  Mas daí saber o que realmente era demorou um pouco.

Esse tá sendo um post bem didático, com cara de aula, mas sei que depois dessas explicações tudo se tornará mais claro. Espero que com essas informações bem didáticas a informação fique na cabeça de vocês!


13 de jan de 2012

Braço direito - AVC

Meu braço "na berlinda".  Todo o esforço possível para tirar a dor e devolver a amplitude de movimento.  Espero que em 15 dias eu já apresente uma melhora.  De volta ao pique das pernas, 3 séries ao longo do dia, presenciais ou não.

Como em 15 dias voltarei para uma consulta à minha neurologista, tenho que apresentar alguma "surpresa" para ela.  Pretendo que seja o braço!

Em comparação ao meu braço esquerdo, tenho que trabalhar a minha abertura do braço.  Enquanto o esquerdo vai fácil (como é para a maior parte de vocês), o direito exige ainda uma atenção muito focada a ele.


Tudo a minha volta exige minha atenção mais voltada para o braço.  Um copo que pego no armário, uma garrafa d'água ao ser retirada da geladeira, um shampoo de volta a sua prateleira na hora do banho (é lógico que até eu conseguir, eu já deixei o shampoo se espatifar na chão inúmeras vezes), o desodorante em spray até então invencível para mim (até ontem, quando consegui apertá-lo um pouquinho!).

Todas as tarefas, tem que envolver o meu braço direito.  Se deixar, rapidinho o esquerdo tomará suas funções, mas eu não quero.  Insistirei até vencer!

É literalmente uma queda-de-braço!

Mas o pensamento que me guia é mais simples:  "ou eu venço o braço, ou o braço me vence" (de jeito nenhum!).  Depois de tanto tempo na ativa, ele não vai se aposentar assim tão fácil não.  Ainda tem muita função pela frente, tem muito peso para carregar...

 Adeus à preguiça que tomou conta de mim esse final de ano (eu também sou mortal), tá na hora de, "literalmente", levantar pesos.

Não é dúvida para ninguém que meu braço melhorou muito, mas eu quero é mais!  Agora vou até o fim!  Consegui o inimaginável:  sair dessas sem seqüelas.  Quem é um braço para me desafiar agora?


12 de jan de 2012

Sem Férias - AVC

É duro nessa época do ano ver tantos amigos e familiares viajando e "você" recusando, apesar dos convites.  Não tem problema não, em breve estarei podendo curtir essas viagens como eles.

Minhas viagens no momento encontram-se na minha cabeça.  Dentro dela é impressionante o que posso fazer.  Não é à toa que ela tem me conduzido a lugares inimagináveis atualmente.

Desde a montagem do meu quebra-cabeça, com a Piaza de Spagna estampada, vou já me imaginando subindo aqueles degraus, pois em breve ei de fazer aquilo de verdade!  Esse é um exemplo das minhas viagens interiores.

Sempre falo que quando estiver recuperada, o promeiro lugar que quero ir é numa praia maravilhosa do nosso vasto litoral.  E eu irei, saibam disso!  Vou dar férias para mim, mas levando o meu anjo-da-guarda para me acompanhar.


Meu anjo precisa, mais do que ninguém, ter a possibilidade de aproveitar um lugar desses.

Nem preciso falar de mim: andar na areia recém molhada por uma onda, sentir a água do mar envolvendo o meu corpo, sentir a textura da areia sob os meus pés, o calor do sol na minha pele (lotada de filtro-solar, pois não pretendo estragar minhas primeiras férias com um descuido desses, lógico).

Em breve, farei isto!  Tenho certeza!

Em oposição ao meu último post, sobre chuva, tinha que apresentar uma linda praia.  Muita inveja branca nesse momento, quando outros estão curtindo esse tempo de verão.

Emquanto isso passo o meu verão, sem arrependimento nenhum, ralando muito, em busca da minha reabilitação.  Estou cuidando de coisas para muitos imperceptíveis, mas que, para mim que conheço meu corpo muito bem, esses pequenos detalhes fazem a diferença.

Desde uma respiração, sendo treinada pela fono, para conseguir uma impostação de voz correta, até pesos para reabilitar meu braço, é importante demais nesse momento.  Não é à toa que busco os meus 120%.

A minha escalada do Everest é interna.  Estou "passando" por lugares muitas vezes não imaginados por mim durante essa reabilitação.  Cruzando o corpo físico sem fronteiras, busco minha recuperação!

9 de jan de 2012

Chuva - AVC

Além de ser um período tipicamente molhado em Brasília (já tá chovendo além da conta aqui e em alguns cantos do Brasil), a cidade fica com um ar meio deprê, meio cidade-fantasma...

Pena... Com isso tenho que adiar meus planos de caminhada pela quadra, pois não temos trégüas.  Preciso treinar minha marcha.  Dentro de um apê não tão espaçoso como o meu, fico muito restrita. Precisava treinar  em um ambiente maior.

A quadra, ótima para treino da minha caminhada, fica meio impraticável.  Qualquer brecha de seca (atenção, nem estou sendo muito exigente para pedir Sol), é motivo para treinar ao ar livre.  Fora isso fico mesmo embaixo do prédio, nas escadas e, quando está frio (ou com vento), dentro da garagem...

O ambiente da garagem está longe de ser o melhor, mas como estou evitando de ficar doente (gripada) a qualquer custo, tá "valente" (como diz minha amiga "M"). 

Minha marcha está cada vez melhor.  Tenho aqueles momentos onde as articulações dóem, mas vamos insistindo que uma hora melhora (como tudo).

Na quadra, quando está seco, já me arrisco a passear com o Juca.  Como meu fiel companheiro, parece (ou sabe mesmo) que não pode me puxar.  Está sempre olhando para trás, me esperando!

Já me arrisquei  em ir até a quadra vizinha caminhando com ele.  Atravessamos a rua juntos, e como ele sabe que estou "devagar", pacientemente me espera, sem fazer muita bagunça.

Assim voltamos à nossa rotina...  Ando ainda acompanhada com alguém, pois ainda acho importante ter uma segurança extra.  Sem nada vou indo.  Segurando ele, é meu desafio... Re-encontrando o meu espaço.  Cada dia é melhor que o outro! 

E assim vou me recuperando, sem perder o foco.

8 de jan de 2012

As mãos divinas - AVC

Ontem confirmei mais uma vez a existência de um plano divino que trabalha independente de nós.

Tive a oportunidade de conhecer um casal excepcional, que teve, dentro de seus atributos, serem pais de uma criança muito especial.  Nos conhecemos através do blog deles (minha amiga "C" divulgou para a lista de contatos dela)... Eu passei a acompanhar o blog (www.flizam.com), e ele começou a me acompanhar também!

Numa troca de informações dentro do blog dele, descobri que somos vizinhos, não apenas de bairro, mas de quadra (Brasília é um ovo), como de prédio!  Impressionante a coincidência!  Ou como ele mesmo colocou, depois que passamos por algumas coisas em nossas vidas, vemos que não existe acaso, que tudo é feito a partir de um plano superior.



A troca de experiências foi rica demais.  A ajuda que pretendo dar a esse casal e seu bebê é tão importante, que nem tenho como mensurar aqui! Dentre as coisas que mais me marcaram foi a coincidência de morarmos no mesmo prédio.  Tudo bem que são prumadas (entradas) diferentes, mas não posso ignorar a coincidência. 

Acredito que isso nos serve mais uma vez para darmos um olhar "diferente" a nossa volta.  Quantas coisas passam despercebidas?  Quantas vezes não estamos presentes, enquanto fingimos estar?  Nada é por acaso... Devemos acreditar nisso de forma que nos ajude, pois é fato que tudo que vem divinamente a nós, só tem essa finalidade. 

Não deixe de acreditar nas pequenas coincidências... Elas fazem parte da mágica de nossa vida.  E sem mágica, tudo fica muito sem graça e mistério!

7 de jan de 2012

QI afetado - AVC

Outro dia, em uma das redes sociais, eu compartilhei um link de um amigo por achar muito boa a piada.
Eis que depois eu recebo uma mensagem de apoio desse mesmo amigo, dizendo que a maior parte das pessoas não conseguiu decifrá-lo, e que de uma forma ou de outra eu poderia considerar que meu QI não estava prejudicado. ("MII" só porque vc não lembrava o nome do ator, não quero dizer que seu QI tá afetado!!! rsrs).
Fiquei mais ïmpressionada ainda quando ele me falou que faz parte da MENSA (pra quem não sabe a MENSA é uma sociedade que reúne pessoas com altos quocientes de inteligência do mundo. A organização destina-se à associação entre pessoas com QIs nos 2% do topo de qualquer teste de inteligência padrão aprovado).


Não pretendo aqui falar que não houve, ou que não há, comprometimento do QI das pessoas que passaram por um AVC.  Me lembro até da minha fisio contando de um paciente que ela teve que ficou muito inteligente depois do AVC.  Passou em vários concursos em primeiro lugar. Mas isso nem sempre ocorre.  Como gosto de levantar o meu lema aqui, cada caso é um caso.
Não vou estragar a piada aqui, vou deixar quicando no ar para vocês... A piada é boa, é manter uma boa dose de bom humor na altura dos acontecimentos, é a melhor coisa que devemos fazer.
Se você não se lembra do nome do ator, faça uma pesquisa na internet e pesquise para entender a piada...
Uma pequena demonstração de como meu raciocínio está indo, mesmo que seja através de uma piada como essa, me faz me sentir bem.
Como digo, um reforço positivo não faz mal a ninguém!
Forévis iang!

6 de jan de 2012

Desafio X atingido - AVC

Em busca de temas para o meu post, fiquei perdida sem saber o que escrever. De repente me lembrei de uma desafio fançado pela minho amiga "F", de que tão logo eu pudesse ela me levaria num restaurante japonês para comer de hashi (palitinho, para os íntimos).


Consegui!  E aqui está a prova!  Minha primeira foto divulgada!
Nada melhor que o aniversário de uma grande amiga para te inspirar!  Lá fui eu com todos os medos, meio sem jeito, mas determinada a conseguir!  Isso faz toda a diferença!
Em nenhum momento da minha recuperação eu pensei que não ia conseguir.  Isso é uma forma de pensar quase mágica.  Tudo para mim, na minha cabeça, é possível sim.  E isso se mostra tão real que sai do campo do imaginação para o real num piscar de olhos (mentira minha, pois não é tão fácil não!).  Mas a atitude que conseguirei é determinante!
Um prazer para mim importante (comer comida japonesa), bobo para uns, mas importante para outros, é um objetivo a ser seguido.
Na foto, o palito não aparece por completo, mas juro que não tinha elástico para me ajudar!  Falo isso com orgulho mesmo!
Para quem não mexia absolutamente nada da mão, esse pequeno gesto é quase igual a famosa frase de Neil Armstrong:  "Este é um pequeno passo para um homem, mas um grande passo para a humanidade", ao pisar pela primeira vez na superfície da Lua.  Tem um significado importante para mim, e para quem me viu.
Minha mão direita começa a desinchar aos poucos mesmo, só eu mesma para reparar. Isso me permite uma série de movimentos que antes não era possível.
Pinças para mim deixaram de ser um mistério!  Cada vez me vejo com a possibilidade de fazer um movimento que antes não era possível, comemoro internamente! Cada dia tenho mais força nas mãos.  Uma rosca que antes era "impossível" para mim, já não o é mais...
Como minhas amigas, minhas fisios, etc, comentam: "Dê tempo para o seu corpo se curar".
Verdade!

4 de jan de 2012

Dores de "crescimento" - AVC


Desde o final do ano passado, venho sentido dores um tanto estranhas ao meu corpo.  No final da noite, já deitada e relaxando, as pernas não conseguem parar.  Mexem-se desordenamente na cama, como forma de alívio para sua "nova e velha" função, andar.
Muito me lembra das dores ditas de crescimento, onde manhosamente reclamava pra minha mãe em busca de "massagem" que me aliviava... Hoje não tenho a mãe presente para fazer o mimo, mas as dores parecem as mesmas!
Não sei se é por conta do tempo de Brasília, muito chuvoso essa época.  Sei que chove no Brasil todo, mas Brasília é especialmente chuvosa esse período, provocando um êxodo que deixa a cidade com um ar de cidade-fantasma.
A mudança de temperatura pode afetar minhas juntas... Tudo dói.  Na cama, à noite, chuto bolas que não existem, arrasto as pernas no colchão como forma de alívio ao incômodo!  É como se fosse dor de crescimento mesmo.  Se é que ela existe.
Além da dor na articulação do joelho (especificamente, na perna direita, que estava comprometida), sinto também uma dor constante dentro do glúteo direito (bela palavra, não?).  Como forma de alívio, sento numa bolsa de água quente na esperança de esquecer a dor. 
Isso é diário, não tem fim-de-semana sem a dor...
Continuo na esperança de que a dor passará.  Espero minha fisio "N" voltar de suas pequenas férias (essa semana mesmo) para explicar a ela o que venho sentindo. 
Uma vez ela explicou que essa dor no glúteo era normal, e deu um nome esquisito para ela que não consigo de jeito nenhum lembrar.  Na época ela fez uma massagem em mim, que parecia mais tortura chinesa (por que desse termo? vou pesquisar e depois conto...). 
Vou ver se surge algum paliativo para isso.  Tão logo eu saiba, registrarei aqui!
Boas caminhadas! 

3 de jan de 2012

Pecado Capital - AVC

Pra variar, ano novo, rotina nova.  Minhas fisiterapias passaram para 3 x por semana (em casa).  Isso não quer dizer que não me exercitarei nos outros dias.
Aliás, farei aqui um discurso bem sincero... Acho (tenho certeza), que quando passei a ser atendida diariamente pelo Home-Care, descuidei um pouco da minha rotina.  Triste constatação, mas real no balanço geral.
Muitas vezes minha fisioterapeuta diária "M" chegava aqui em casa, e eu já havia feito uma série.  Nunca menti para ela (como se ela fosse me "castigar"...rsrsrs).  Tenho que manter a garra do início.  Três, duas vezes ao dia... Não é que não esteja com garra, mas preciso me disciplinar... Depois de mais de 300 sessões de fisioterapia, presenciais ou não, parece que me acomodei com o que falta.
Não, "acomodar" é um verbo muito forte para descrever essa situação... Não me acomodei não. Não é isso...
Me dei o direito de ficar um pouco preguiçosa.  Logo eu... Constatação de que eu sou uma mera mortal.  Longe de ser uma "mulher-maravilha" descrita nesse blog.


Logo no início do ano eu confesso isso.   Que falta de vergonha!  Mas não estou aqui para "maquiar" nada.... Jogo o que vem acontecendo comigo ao longo desse período.  Estou fazendo o que me propus: narrar a minha reablitação, meus problemas, para que as pessoas entendam o que estou passando.
Acho que com essa confissão, estou descendo do pedestal que me pus (e me puseram...). Sou mesmo uma mortal qualquer, com altos e baixos...
Voltar ao meu pique é mais do que necessário... É uma necessidade.
Acho que o que aconteceu, é natural.  Depois de aprender a andar, relaxei um pouco.  Um pouco mesmo!
Normal ( na verdade não tem nada de nada de normal aprender a andar nessa altura do campeonato!).
Tenho, e vou, recuperar mais os meus membros superiores...
Tenho a impressão que depois acharei isso tudo meio exagerado.  Mas tudo bem.  Começar o ano já me confessando, fez bem para a alma!

2 de jan de 2012

Apoio no FB - AVC

Desde o final do ano eu comecei um campanha modesta para divulgar o minha página no Facebook. Muito obrigado pelo apoio de todos!
O FB tem se mostrado uma ferramenta muito importante para divulgar as informações que busco e acho pertinentes. 
Espero, realmente, que o blog venha a ajudar quem busca algumas informações sobre o AVC ou AVE (mais "cientificamente" correto).
Não tenho a menor pretensão de me estender pelas questões médicas no blog.  Apenas o ponto de vista de uma mera mortal que passou por esse quadro.  Tento narrar os aspectos mais relevantes no meu caso.  Isso não quer dizer, que não ajudarei uns "poucos gatos pingados" por aí.
O que já estou alcançando me surpreende.  Pessoas do Brasil, do Mundo, que nem conheço, chegam a mim buscando aliviar o sofrimento que estão sentido, ou que alguém conhecido está sentindo.
Hoje, nesse mundo que a internet não tem limites, é muito fácil encontrar informações.  Tenho sempre o cuidado de frisar que "cada caso é um caso".  Não porque estou tendo uma "assombrosa" recuperação (palavra usada pela minha irmã "I"), mas porque cada caso é um caso.  Não quero tirar esperanças de algum leitor, mas também não quero plantá-las.  Acho que me exemplo tem servido como superação de limites... Isso é o que importa.  Todos nós temos limites, mas não sabemos ao certo onde eles estão.  Quero que com essa leitura, as pessoas (mesmo aquelas sem esse problema em alguém conhecido) encontrem a possibilidade de transpor limites.  Estou fazendo isso todo dia, porque não tive como escapar. Mas o que quero frisar aqui é que isso é possível para muitos.


Outra dia, minha amiga "C" comentou comigo que se algo parecido tivesse acontecido com ela, ela não conseguiria superar tão bem a situação. 
Quem somos nós para determinar nossos limites?  Essa palavra serve para ilustrar algo que não podemos alcaçar, onde temos que parar... Na hora que o "bicho pega" arrancamos força de onde menos esperamos.
E isso, dentro da nossa cabeça, ninguém pode tirar, mexer, duvidar.... Só nós mesmos!
Procure deixar essa palavra apenas nos dicionários.  Cabe à nós saber aplicar a força na medida certa de cada um.  Acredito sim que limitações nos fazem a oportunidade de chegar a lugares nunca antes explorados.  E não ache que esses lugares são sombrios... Podem ser, ou não...
Antes de mais nada, nossa imaginação (que pode se tornar realidade) não tem limites.  Devemos nos aventurar por ela para ver onde é possível chegar!  Eu tenho feito isso na maior parte dos dias (não vou ser mentirosa e falar que faço TODO DIA, porque também tenho os dias onde nada quero fazer).  Mas posso dizer que cada dia eu tento "ampliar" meus limites, até sabe-se lá onde.  Não busco fronteiras, busco novos horizontes!

1 de jan de 2012

Início 2012 - AVC

São tantas coisas prometidas... Tantas tarefas a cumprir... Não vou me desviar de meu foco, já que ele se faz tão presente hoje em dia.
Primeiro post de 2012... Significa alguma coisa? Sim, significa que eu venci!  É muito, não? Vencedora, corredora, superadora de seus limites (quais?)... Lá vou eu mais alguns meses atrás da minha reabilitação.  Tá dando super certo.  Por algum motivo, que pouco sei explicar, está dando certo.  Pra que mudar a fórmula?  Como dizem, "time que está ganhando não se mexe", ou como minha amiga "M" falaria, "time que está ganhando, se mexe!"rsrs.
Em algum momento de 2011, eu me considerava invencível... Não como um super-herói, mas como uma mortal que não aonteceria nada... que eu continuaria na minha dita "imortalidade". Tudo isso mudou em julho de 2011, mês que eu faço questão de esquecer!  Mas que os meses subsequentes não entrarão nesse rol.  Meses de vitória, uma atrás da outra! Obrigada!
Tenho certeza que sairei zerada disso, não me contento com menos.  Estou, literalmente, correndo atrás de meus objetivos.   Tudo se faz pequeno nessa hora.  Tão importante manter meu foco.  Acho que sem ele muita coisa teria sido diferente!
Imagino que para muitos, sair de uma situação dessas não é nada fácil.  Físico diferente, idade variada, grau de motivação, objetivos a serem alcançados... Não teria como escrever todas as variáveis para uma reabilitação.   Como falo, e repito, cada caso é um caso!


Meu balanço da 2011 não é bom, mas não posso negar tantas conquistas minhas.
Isso é o que conta no final.  Sinto que sou hoje uma pessoa mais leve... Apesar da tudo o que aconteceu, consigo rir de besteiras simples.  Vai que o circuito queimado era o da seriedade.  Sorte a minha ele ter sido queimado! 
Sou uma pessoa mais leve, apesar de "carregar" meus membros de forma bem consciente.  Quantos de nós precisamos disso no presente?  Não estou dizendo (longe de mim) que quero que isso aconteça com cada um de vocês, longe de mim mesmo!
Infelizmente (não é para usar outra palavra, não!) somos tragados pela rotina, que nos faz agir assim.  Compromissos, compromissos e compromissos. Não temos a habilidade de equilibrar isso.  Quem tem a fórmula, que repasse por favor....
Tenho medo de ser engolida pelos compromissos novamente.  Espero que não!  Esse será um dos meus objetivos para 2012!  Vou tentar, juro!