27 de abr de 2012

Confissão


Uma confissão.

Gente, resolvi assumir que não terminei o quebra-cabeça que comecei há um tempinho.



Já tava me incomodando ter que ver aquele monte de peças em cima da minha mesa e, em paralelo, a mínima vontade de terminá-lo (Puzzle - AVC).

Acho que a função inicial que dei ao me propor a montá-lo funcionou.  Consegui montar cerca de 90% dele.   Tá bom né?  Sendo que os 10% que faltaram são de azul irritante, que praticamente eu tinha que peça a peça, encaixe a encaixe, para ter a sorte da combinação!  Ninguém merece!

Montar a borda, depois separar as cores, as texturas, tudo conforme o script inicial. 

Deu para ter uma noção boa que a minha organização interna tá aqui!

Como disse anteriormente, foi um desafio sim.  Montar cerca de 1250 peças não é para qualquer um não!

Desenvolveu minha percepção, minha coordenação de braço/mão direita, minha metodologia, diferenciação de cores, e por ai vai...

Recomendo MUITO essa tarefa para quem está se recuperando, ou para dar de presente a quem está. 

Mas não deixe de explicar o motivo pelo qual está dando! Como paciente em recuperação, eu recomendo que você explique.

Temos que ter uma meta clara na nossa cabeça.  Temos que saber para que serve cada desafio que nos é dado, seja ela físico, mental, ou os dois conjugados.  Temos que tentar superar nossas limitações.

Só assim vamos recuperando o que foi perdido.  Voltando a ser o que era.

Sim, acho que, apesar de não ter terminado o quebra-cabeça, ele cumpriu o seu papel.  Já estou querendo voltar a fazer SUDOKU para ir a outro nível de quebra-cabeça.


Desafio lançado!

25 de abr de 2012

Estilo de vida

Desafios a frente.  Desafios vencidos.

Considero excelente a minha reação a quimio até agora.  É lógico que ainda tenho um longo caminho pela frente.  A tal "toxicidade" pode estar a espreita em qualquer esquina.

Apesar de todos os meus problemas, que não são poucos, ainda prego a minha cartilha: alimente-se bem e não deixe de se exercitar.

Tenho a convicção de que, graças a essas duas dicas (super conhecidas, diga-se de passagem), minha recuperação, reação, reabilitação (o que seja), todas tem sido previlegiadas por um hábito que carrego há alguns anos.

Ai vocês se perguntam:  ué, mas se eu mesma, euzinha segui a minha cartilha, e não tive muita sorte com a minha saúde, por que "eu/você" devo/e seguir?

Como nessa frase mesmo coloquei: sorte/azar/falta de sorte (como você preferir chamar).  Mas eu tenho a certeza de que esse minha "receita" está me ajudando de alguma forma.

Na reabilitação dos meus AVCs: quase que incrível a minha recuperação.  Inacreditável para muitos que me vêem hoje.  Na minha quimioterapia (até então):  sem muitos altos e baixos, a não ser aquela ressaquinha de leve (esperado, não???).

Seguindo à risca a dieta passada pela minha amiga "M3", que está acompanhando todas as minhas taxas.  Fisioterapia: não estou pegando pesado (nem posso!), mas não deixo de praticá-la. Cuidando, preventivamente, de minhas juntas e articulações (efeito colateral da quimio, me disseram).

Então, por mais punk que esteja sendo tudo que estou passando, mantenho a minha linha de pensamento.  Tudo está indo super bem.  Por que mudar a rota nessa altura do campeonato.

Digo e repito: o estilo de vida saudável me proporciona uma recuperação impressionante.

Pode deixar que não abandonarei isso.  Sei o quanto tem sido importante!

23 de abr de 2012

São Jorge - AVC

Hoje é dia de São Jorge!


Inspirada nele, continua minha luta!  Um dragão por dia é pouco!


Continuo sim com a minha fisioterapia.  O corpo se recupera, em paralelo, silencio e misteriosamente.  Como  que espontaneamente, movimentos finos, que antes eram difíceis, são incorporados de volta à minha rotina.  Imperceptível para a maior parte das pessoas.  Perceptível para mim.

Estou mantendo minha fisio nesse período.  Muito atenta a minha alimentação.  Afinal de contas, tenho que estar com o meu sistema imunológico "bombando" para continuar com a quimio.

Enquanto isso, além de tudo pelo que venho passando, os exames no Sarah continuam. Continuavam.  Pelo que tudo indica, acabei os exames (já perdi a conta de quantos foram).

Ressonância disso.  Ressonância daquilo.  Tomografia disso, daquilo... Doppler... Ufa... Cansei!

Mês que vem terei a minha consulta de retorno com a equipe de neurologia.  Vamos ver se terei alguma explicação para os meus AVCs.  Assim espero!

Muito ruim ficar sem idéia o que causou.
 
Ainda tento sair do medo que me ronda.   Tenho receio sim de que tudo me aconteça de uma hora pra outra.  Sem nenhum aviso do que estava por vir.

Mudar minha vida 180graus, de uma hora pra outra.

Segundo meu psicanalista (viu "M",eu também tenho!!! rs), esse receio, que tem me assombrado, sumirá.  De volta à minha rotina, recuperarei a confiança.

Depois da tempestade, tudo se acalmou.  Ver a morte mais uma vez tão perto de mim, deu uma perspectiva dessa finitude.  Finitude que todos temos, mas que nem sempre somos conscientes.

Não, não foi uma coisa ruim não.  Passei a encarar a morte mais próxima.  E por isso passei a aproveitar a vida de forma diferente.

Como tudo na nossa vida, duas (ou mais) perspectivas estão sempre presentes.  Depende de nós qual escolheremos.

Jorge Da Capadócia

Jorge Ben Jor

Jorge sentou praça na cavalaria
E eu estou feliz porque eu também sou da sua companhia
Eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge
Para que meus inimigos tenham pés, não me alcancem
Para que meus inimigos tenham mãos, não me peguem, não me toquem
Para que meus inimigos tenham olhos e não me vejam
E nem mesmo um pensamento eles possam ter para me fazerem mal
Armas de fogo, meu corpo não alcançará
Facas, lanças se quebrem, sem o meu corpo tocar
Cordas, correntes se arrebentem, sem o meu corpo amarrar
Pois eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge
Jorge é de Capadócia, viva Jorge!
Jorge é de Capadócia, salve Jorge!





18 de abr de 2012

Desculpa - AVC

Retornei finalmente às minhs atividades com a Fisioterapia.

Existem tantas opções que podemos trabalhar durante uma sessão, que não apenas força (se é que tenho!).

Pra equilibrar meu quadro, já que estou com outros tratamentos em paralelo a minha reabilitação, minha fisio "N", que para minha felicidade já trabalhou também em oncologia, me explicou uma série de coisas que podem ser afetadas por conta da quimio.

Alongamento sempre.  Exercícios de concentração, de memória.  Contagem de séries (sim, para exercitar minha percepção). Tudo, tudo que possa incrementar meu quadro neurológico ainda debilitado pelo AVC. 

Coisas que não passam pela nossa cabeça, mas, sim, que temos que exercitar.  Uma simples contagem 1, 2, 3, 4, 5 [1] e de novo 1, 2, 3, 4, 5 [2] e de novo 1, 2, 3, 4, 5 [3] e assim por diante enquanto você está exercitando, mexe com um bando de neurônio que você não faz idéia.

Falta de concentração.  Me afeta demais durante a contagem.  A ponto de ter que fechar a porta para não me distrair com ruído fora do meu quarto (estranho, né?).

O que tenho que tentar fazer agora é sair de uma série e engatar em outra de forma mais harmoniosa, mais natural.  E não como venho fazendo: termino uma e parto do "ponto zero" para começar a outra.  Tem que ser natural: 1, 2, 3, 4, 5, 1[1], 2[1], 3[1], 4[1], 5[1], e assim por diante... (minhas amigas da malhação sabem do que estou falando!).

A execução simultânea de tarefas ainda exige concentração.  Como para qualquer um.  Só que eu (só eu!) sei o meu parâmetro.  Então é atrás dele que estou!  Ainda falta, mas já melhorei MUITO!

Os outros não percebem, mas EU percebo.  Ainda bem que temos parâmetros, pois são atrás deles que devemos ir (ou ultrapassá-los!).

Estava aqui pensando que minha escrita do início do blog pra agora deve ter melhorado (assim espero eu, rsrsrs).  Como algumas funções são comprometidas e como essas mesmas funções vão sendo recuperadas.  Mas ao mesmo tempo consegui reparar como estou meio perdida no tempo, sutilmente.

Minha prima-irmã-amiga "C' que me perdoe, mas eu tive a capacidade (ou a falta de) de passar o aniversário dela sem sequer me lembrar.  Imperdoável.  Mas da forma que foi foi tão estranho, se não engraçado.

Sei exatamente que estou no mês de abril, mas em algum lugar na minha cabeça estou em março.  Lembrava do aniversário dela pra daqui a um mês, mas lembrava.

Muita gente pode estar lendo e achar normal isso, mas EU sei que não é. 

Com um pedido de desculpas no blog, e mil desculpas no telefone, ainda espero que ela me perdoe pelo meu momento "sequelada", como costumo brincar!

DESCULPA!

16 de abr de 2012

A saga - AVC

Após uma curto e tenebroso "inverno", cá estou eu.

Dentro da normalidade do que estou passando, começo a semana melhor.  Depois de uns dias do me tratamento, é lógico que eu fiquei meio ressaqueada.

Afinal de contas, tantas drogas dentro do seu organismo alguma coisa deve acontecer... E contrariando minhas impressões anteriores: Sim, me senti mal.  Mas já passou.  Pelo menos no promeiro ciclo.

Estou sentindo falta dos meus exercícios.

Morro de medo de "enferrujar" o que foi "desenferrujado" nesses últimos meses.  Minhas articulações nas pernas dóem, como que pedindo atividade.

Essa semana, se tudo der certo, retornarei às minhas atividades de fisioterapia.  Não vejo a hora de colocar o meu corpo na sua atividade.  Há muito minhas atividades mudaram radicalmente por conta dos AVCs, e agora tenho que correr também atrás do "prejuízo", por conta da limitação que a quimio me dá.

Não, nada relaciona até esse momento a quimio aos AVCs.  Ainda estou em fase de rato de laboratório.  Estudada, pesquisada, revirada. 

Mais uma semana de exames na rede Sarah.  Já não bastasse os infinitos exames de sangue, que deixam meu braço esquerdo (o não comprometido) com cara de quem foi ao campo de concentração.  Mas meu otimismo ainda tá aqui, graças a Deus.  Isso é o que importa.

O resto a gente disfarça como dá.  Mangas, calça comprida, maquiagem, etc.  Uma infinidade de disfarces que estão ao nosso lado.

Minha preocupação tá no Sistema Nervoso Central.

Como ele foi diretamente afetado pelos AVCs, não quero que se compromentam de novo com as químicas a que venho sido submetida.

Tenho levado comigo os sábios conselhos da minha amiga "I", que repete incansavelmente que, antes de qualquer coisa, eu TENHO que respeitar os limites do meu corpo.

Dormir quando bater um soninho.  Não exigir muito do meu raciocínio, pois ficará naturalmente mais lento. 

Formigamento, fraqueza e adormecimento nas mãos e nos pés.  Sensação de mais frio que de costume.  Dor ao caminhar.  Fraqueza, aumento da sensibilidade, cansaço e dor muscular.  Sensação de perda do equilíbrio (tontura).  Dificuldades para pegar objetos ou abotoar-se a roupa.  Tremores.  Diminuição da audição.  Fadiga.  Confusão e problemas de memória.  Depressão.

Ou seja, TUDO que estava recuperando depois dos AVCs.  Tenho que achar a linha sutil entre a quimio e a reabilitação.

Como tudo na vida, tudo passa, tudo evolui.  Graças a Deus! 

12 de abr de 2012

Tédio - AVC X QUIMIO

Não aguento mais.  Preciso desabafar.


Essa semana foi meu primeiro ciclo de quimio.  Fora a palavrão (que no início deixa todo mundo assustado), não senti nadinha ainda... Graças a Deus e não posso esquecer a mim mesma, já que me preocupo com meu bem-estar, alimentação, blá-blá-blá...

Mas acho que graças a tudo isso, tenho me saido bi=em.  Pelo menos por enquanto.  Que eu continue assim pela frente.

Tédio.  Tomou conta de mim um pouco. 

Como sou meio "caxias" comigo mesma, não tenho me dado ao luxo nem de descer com o meu campeão Juca.  No momento ele conta com outras acompanhantes para suas caminhadas diárias.

Mas falando hj com o minha amiga "I" do Rio, ela já mandou eu andar!  Amém!  Como uma velhinha de 80 anos.  Tipo: cansou? Para!!!  Não vá além do seu limite!

Sim, tenho pensado muito nisso, por incrível que pareça.  Depois de passar algum tempo na cama, impossibilitada de andar, mexer, etc, qualquer cerceamento me deixa meio angustiada.

Sei dos meus limites, mas também sei do esforço que foi para recuperar meus parcos músculos das pernas, braços, etc...  Movimento, essa é a palavra que me rege desde 17 de julho de 2012 (o dia seguinte ao meu primeiro AVC).

Não quero regredir, mas também não posso abusar.  Uma descidinha com o Juca aqui, outra ali, não vai matar a mocinha aqui não.  Até mesmo por que tenho o mais com que me preocupar.   Cuidados, não os deixo de ter.  NUNCA!

Mas um desabafo é preciso!

FUI!!!!

11 de abr de 2012

Semana reclusa - AVC

Pelo momento que estou passando, recomenda-se ficar mais resguardada por conta do meu organismo estar com baixa imunidade. Conclusão: uma semaninha sem minha fisioterapia.

Nada impede que eu faça alguns "exercícios", que não exijam esforço, para incrementar minhas evoluções.

Por exemplo, ainda mexo muito com os meus dedos da mão direita, pois ainda estão ligeiramente inchados.  Imperceptível para os outros, mas para mim sei exatamente qual a sua diferença para o normal.

Um a um, os dedos vão recuperando sua forma original, do mindinho para o polegar.  O mindinho já está quase zerado, o "seu vizinho" também tá chegando lá, mas precisa melhorar.

Pessoal, mexer com os dedos da minha mão não exige esforço.  Então tô liberada para isso.  Escrevendo o blog exercita minha mão também, além da coordenação, da atenção, do planejamento, ou seja, de tudo.

Continuo jogando em meu computador, exercitando, acredito, minha atenção, minha vista, etc.  É um desafio para mim bater meu próprio recorde.  E visivelmente, a cada semana, consigo melhorar os pontos.

Não, não acho que é por estar mais familiarizada com o jogo, mas sim por perceber mais, por ter mais agilidade na mão do que antes, por estar me concentrando mais fácil. 

Fundamental esses exercícios.  Para a mente, para o corpo.  Tenho que me desafiar, por menor que seja o desafio, todos os dias.  Sem desafio, a recuperação não tem sentido.  Felizmente todo dia penso em algo que tenho que melhorar, não posso focar apenas no que era bom e não o é mais.  Mas sim que irá ficar, com o meu esforço, com a minha determinação, o que posso fazer para recuperar.

Tudo é mais lento a essa altura do campeonato.  Antes evoluções que eu via diariamente, hoje eu vejo semanalmente, mensalmente.

Mas não deixa de ser gratificante.  A sensação de conquista não deixa de ser a mesma.

Para pessoas que não passaram por isso, é muito sutil, muito imperceptível.  Não conseguem dimensionar.  Não deixe que não te desanimem.

Graças a Deus meus amigos são como uma torcida organizada.  Todo dia tem um ou mais "Parabéns, amiga!"

9 de abr de 2012

De volta - AVC

Minha recarregada de baterias acabou!

Como precisei disso... Depois de uma luta por 8 meses, correndo atrás da minha recuperação de dois baitas AVCs, recomeço hoje outra luta, a da quimioterapia.

Estou aqui, matando meu tempo, enquanto essas gotinhas aqui vão matando as células "más". Sim, estou em pleno tratamento!

Mas como o propósito do meu blog é sobre minha recuperação dos AVCs, aqui vou eu!

Tirei uma semana de "férias" em uma bela praia, com direito a pé na areia, mergulho no mar (marzinho tranquilo) e muita, MUITA, paz de espirito.

Minha fisio já tinha me avisado que andar na areia é tudo de bom para a minha propriocepção. Então lá fui eu em busca dela!

Andei, andei muito. Senti a areia nos meus pés, senti a água timidamente me dando as boas-vindas.

Tudo novo para a minha nova percepção. Muito importante isso.

Me desequilibrei sim. Até achar o meu ponto de equilíbrio. Mesmo que temporariamente. O desafio de entrar no mar, marzão, diga-se de passagem, foi no mínimo interessante. Mesmo sem ondas, conseguir achar meu "balanço" ao ser desiquilibrada por elas (ondas), foi um desafio.

Acho que temos a natureza ao nosso lado. Em todas horas! Pisar na grama, na areia, entrar no mar, todos são aliados. Todos fazem bem, não só à alma, mas ao corpo também.

Acho não. Tenho certeza! Devemos reparar mais na natureza e ver o que ela tem a nos oferecer. É uma aliada.

Não podemos apenas explorá-la.

O processo de cura, recuperação, começa de dentro, da nossa cabeça, do nosso coração.

Valeu, mãe natureza. Você foi 10!