12 de nov de 2013

Um resumo para um lutador!

Um email para um guerreiro... Resolvi mostrar o que escrevi!

Boa tarde,

Me chamo Adriana, sou amiga da P, e a pedido dela conto um pouco da minha experiência.

Em julho de 2011, aos 42 anos, sofri 2 AVCs.  Não tenho pressão alta, colesterol em dia, me exercitava diariamente, ou seja, nunca pertenci ao grupo de risco de um paciente de AVC. 
De repente meu mundo mudou.  Era uma manhã de sábado e passei mal enquanto andava no Parque da Cidade em Brasília.  Estava sozinha.  Me socorreram ali mesmo, mesmo estando inconsciente.  Quando a estava entrando na ambulância, minha amiga chegou.
Acordei 24hs depois, já na UTI.  Me recuperei bem, e me encaminharam para o quarto.  Tive outro AVC no quarto, dessa vez esse AVC foi MUITO grave.  AVC de tronco, como o primeiro, mas o estrago foi impressionante. 
Me contam que quando acordei, de novo na UTI, só mexia os olhos.  O corpo todo paralisado, não falava e nem engolia... Tive que ficar na maldita sonda naso-gastrica para me alimentar.  Aos poucos minha fonoaudióloga foi me ajudando a voltar o engolir.  Também, aos poucos, me livrei de um tubo que ficava na minha garganta, além da maldita sonda, que evitava que engolisse minha saliva e me afogasse.
Voltei a engolir, mas ainda não falava.
Com mais trabalho da fono, consegui voltar a engolir comida, e fiquei umas 2 semanas com dieta pastosa.  Traçava TUDO que me davam, pois NUNCA mais queira voltar a usar aquela sonda!  A comida era ruim, mas eu tinha que fingir que era boa, para me livrar dela....
Voltei para casa ums 3 semanas depois ds UTI.  Já gemia alguns sons, e comia devagar.  Engasgava ainda com água e com a minha saliva.  Mas estava voltando para casa.
De cadeira de rodas, pois não andava.  A essa altura me lado esquerdo voltou um pouco, mas o direito estava totalmente inerte. Equilibrio zero, mesmo quando sentada.
Voltei para casa e continue um intensivão com a fono.  Queria muito voltar a falar e a parar de engasgar,  Arrumei uma fisioterapeuta especializado em reabilitação neurofuncional e comecei também a minha luta.  Minha vida, em cima de uma cama, era só de exercícios.  Tanto da fala, como no corpo, com o pouco que conseguia fazer, orientada pela minha fisio.
Voltei a andar.  Primeiro com um andador, depois com uma bengala de 4 pontas.  Entrei em 2012, e larguei o apoio.  Voltei a falar... Meio devagar, mas voltei.... Voltei a me movimentar, e consegui voltar a vida normal com algumas limitações.
Hoje em dia posso dizer que estou 100%.  Falo, ando (até de salto alto!), voltei a dirigir (carro automático com benefício).  Estou uma pessoa normal!  Melhor até!  Esse "sacode" que a vida me deu, me fez reavaliar muitas coisas.
Minhas sugestões: muita fono, muita fisio!  De preferência algum fisioterapeuta especializado em neuroreabilitação.  E MUITA, MUITA paciência e perseverança!  A força de vontade para se recuperar tem que partir de dentro!
Leia o meu blog: avccva.blogspot.com. 
Lá conto com mais detalhes sobre essa minha luta. 
Tenha fé!  Eu era uma candidata ao desengano.  Mas não quis.  Corri atrás de histórias de pacientes vitoriosos.  Casos com sequelas são muitos.  Histórias de sucesso é que me interessava!
Hoje me sinto orgulhosa de ter sinto essa MEGA vencedora!

Boa sorte e força na luta!

Adriana

14 comentários:

  1. VITORIOSA, SIMPLESMENTE VITORIOSA, ABRAÇOS; SERGIO KOST

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    1. Obrigada, Sergio!
      Continue firme na sua luta!

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  2. Parabens Adriana !!! Sem duvidas voce e uma vencedora !!! :)

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  3. O seu AVC no Tronco foi Hemorrágico?

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  4. Adriana, você é fruto de uma obra de Deus, pode ter certeza que ele te abençoou muito em sua recuperaçao e ainda vai abençoar... o melhor de Deus ainda esta por vir !!
    Adriana, nestes 2 AVC você passou por cirurgias ou nao ?
    gostaria de saber seu email para me comunicar ... para saber sobre a fono que cuidou de você, pode me passar ? minha namorada teve este mesmo problema e esta se recuperando muito bem e com a graça de Deus eu creio que ela vai ficar boa !! Obrigado e que Deus continue te abençoando !

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    1. Não passei por nenhuma cirurgia, pois nenhum dos AVCs foi hemorrágico.
      Sim, posso te encaminhar os profissionais que me trataram, mas ainda não sei se você é de Brasília.
      Torço para que sua namorada se recupere. Todo apoio nesse momento é fundamental.

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    2. Este comentário foi removido pelo autor.

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    3. Meu email é adrianabaltar@gmail.com

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  5. Me deu forças ler sobre sua experiencia, estou passando a mesma situação com a minha mãe. Ela tem a sua idade, e como você não apresentou nenhum fator de risco.. Está andando mas a fala ainda está demorando para voltar. Ler sua historia me deu forças para acreditar na recuperaçao dela! Obrigada

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    1. Thainara, criei o blog com esse objetivo mesmo, o de incentivar as pessoas que estão em luta! Fico feliz que tenha gostado!

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  6. Olá. Meu pai tem 68 anos, nunca bebeu e nunca fumou. Sempre jogou futebol e fazia ginástica e caminhadas diariamente. Não tinha problema de saúde e do nada sofreu um avc isquemico no tronco cerebral no dia 28/10/2015, ficou uma semana na uti e depois foi para o quarto, com traqueostomia e sonda gástrica, e até hoje, 23/12/2015 encontrasse assim, no hospital, sem se mover e abrindo os olhos algumas horas no dia, teve algumas vezes que ele se comunicou piscando e apertando a minha mão, mas agora voltou a dormir bastante e abrindo os olhos algumas vezes, mas sem se comunicar, fica com um olhar vago, inexpressivo. Os médicos falam que esse tipo de avc é irreversível. Estamos todos sem chão, orando muito por um milagre. Mas gostaríamos de saber se alguém pode nos contar mais dessa experiência no hospital, se é normal esses altos e baixos. Obrigada.

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    1. Olá Anete,
      Desculpe pela demora. Estava um pouco ausente do blog no fim do ano. Espero que as coisas com o seu pai tenham evoluido um pouco. Esse tipo de AVC é muito sofrido e de recuperação lenta.
      Posso te contar o que acontecia comigo: apesar de não conseguir me comunicar, tinha um perfeito entendimento do que se passava a minha volta. Muitas vezes era muito cansativo fazer qualquer tipo de esforço na tentativa de conseguir se comunicar. Preferia ficar quieta, me limitando no máximo a responder as perguntas com uma piscadela ou duas.
      Não pense na irreversibilidade que os médicos falam. Comigo não foi diferente. Estou aqui de volta podendo contar minha história de superação.
      Sei que cada caso é uma caso. Mas o que quero deixar registrado aqui é que você e sua família não perca as esperanças, por mais difícil que esteja.
      Leia o meu blog no início da história, em outubro de 2011. Acredito que alguns posts que escrevi lhe ajudarão.
      Força!

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