10 de fev de 2014

Um recadinho importante

Pessoal,  queria deixar claro aqui o meu objetivo ao escrever esse blog, que possui um alcance fora do meu controle. Todo tipo de pessoa pode ler, para tentar se informar sobre qualquer tipo de avc.

É sobre isso que gostaria de me explicar.  Em muitos posts que escrevi anteriormente, sempre destaco que "CADA AVC, É UM AVC".  Tento deixar isso o mais claro possível para as pessoas que aqui vêm em busca de um alento à uma situação pela qual, que na maior parte das vezes (concluo isso pelos comentários que recebo), é um familiar ou amigo que está passando.

Coloco aqui a minha experiência, situações pelas quais passei e tratamentos a que fui, e que sou ainda hoje, submetida.  Longe de mim de querer dar falsas esperanças.  O relato é pessoal.  Busco sempre ser muito responsável com as informações que aqui coloco.  Não divulgo nomes de remédios (isso é assunto sério para ser tratado direto com o médico), nem comento tratamentos que, por acaso, não deram certo pra mim.  O que é bom pra mim, não necessariamente é bom para outra pessoa.

Mas mesmo assim acho importante o meu ponto de vista para os outros.  Sim, mostrar que apesar de um caso grave, ainda podemos ter esperança.  O meu caso foi MUITO grave, mas consegui, com muito trabalho, dedicação e persistência, ficar zerada.  O meu estado hoje não diminui o quadro pelo qual passei.  Passei um bom tempo até recuperar minha independência.  Nada aconteceu de uma hora pra outra.  Algumas pessoas podem ter essa impressão, mas garanto que não foi assim.

Acordar como acordei do 2o. AVC, deixou todo mundo de cabelo em pé.  Não falar, não mexer nada, nem engolir... Situação preocupante, sem dúvida.  Quase passei por uma traqueostomia, pois também tinha dificuldade de respirar.  Ou seja, o quadro que passei há 2 anos e 1/2 não foi muito fácil não.

Nem por isso, deixei de focar na minha recuperação.  Sim, foquei muito.  E até hoje quero melhorar.  E vou.

A vida da gente é movida por objetivos, obstáculos sempre vão aparecer.  Mas como esse são inevitáveis, o que interessa é passar por eles da maneira mais nobre possível.

O quadro de um paciente AVC é muito delicado.  Muitas funções ficam comprometidas.  A independência das pessoas vai por ralo abaixo de uma hora pra outra.  Isso acaba desenvolvendo um quadro depressivo em muitos pacientes.  Conversem com o neurologista responsável, para ver se é o caso de entrar com uma medicação.  Eu tomei, não tomo mais.  Não sei se foi a pílula da alegria que manteve meu foco, mas em tenho certeza que lá no fundo da minha pessoa, eu tinha o foco muito bem definido.

Não devemos ter vergonha de precisar de algumas "muletas" durante o tempo que for necessário.  O baque pelo qual passamos é GIGANTE, ninguém que não passou por isso consegue mensurar o que é.

Continuarei a passar informações de forma muito responsável.  O objetivo desse blog é passar esperança para as pessoas.  O mundo em que vivemos é demasiado pesado.  Passando por um quadro desse, é pior ainda.  Então aqui ficam meus posts contando a minha história.  Com um final feliz, sim!  E que podemos manter o otimismo mesmo num momento tão difícil!

Boa recuperação a todos!  E muita força!  Porque é disso que precisamos!


15 comentários:

  1. muito bem Adri, é isso aí... a cura vem de nós mesmos, FOCO sempre, e que bom que existem pessoas como você que pode dividir sua experiencia de forma responsável, pois estamos lidando com saúde, parabéns és um exemplo pra nós.

    ResponderExcluir
  2. oiee tenho 20 anos o meu avc foi recente, com esses blogs pelo face lendo conhecendo outras historias, me ajuda a manter meu foco mais é dificil as vezes
    hoje estou bem. obrigadoo.... mais sei q agora depois de tudo vou superar isso....

    ResponderExcluir
  3. Adriana, sei bem como é isso, a parte de depender tanto dos outros para tudo é a mais difícil. Senti muita falta do meu avô que era médico pois as vezes parece que o outro que não tem o mesmo conhecimento não entende bem e vc repete várias vezes o que seu médico disse para os outros... Lidar com o outro é muito complicado, pois além de tudo pelo que vc está passando o familiar não sabe bem o que fazer com você e se preocupa muito o que ao mesmo tempo pode levá-lo a ter alguma palavra ou atitude que te botem pra baixo. É nessas horas que minha fé em Deus me leva adiante e não me deixam desistir e creio Nele que me fortalece. Nossa, quanto mais leio seu blog mais gosto! Deus te abençoe! Julia.

    ResponderExcluir
  4. Adriana, fico muito motivado ao ver sua história de superação. Pois meu avô, 78 anos, está internado em estado "vegetativo" (dado pelos médicos) por ter um AVC Isquêmico na parte Tronco do cérebro, no caso, a mesma região que a sua. E em seus posts que pude acompanhar fiquei com algumas dúvidas que olhando para meu avô possuo-as também.
    Ele acordou do coma, porém está muito sonolento, e às vezes fica mais atento com os olhares e outras vezes o olho fica fixo como se estivesse viajando. Como foi com você essa parte ? Se lembra de algo, obtinha alguma consciência nesses momentos ? Também gostaria de saber em qual parte do tronco encefálico teve a lesão, pois a do meu avô foi na Ponte, qual foi a região ? Seus 02 AVCs foram Isquêmicos ou Hemorrágicos ? Ele mexe através de comandos pernas, língua e às vezes as mãos. Os médicos dizem que ele é um paciente paliativo que o quadro é irreversível. O que podemos fazer por nossa conta mesmo, para que consigamos obter melhoras ?
    Aconselharia-nos a pagar uma fisioterapeuta a parte para ir fazer diariamente e intensivamente estímulos nele ?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi Victor,
      Como digo no meu blog, cada AVC é um AVC.
      Não tenho muitas lembranças desses olhares vagos. O que posso adiantar é que me sentia muito cansada rapidamente quando tentava acompanhar as pessoas, as conversas com os olhos. Era mais fácil para mim me manter com os olhos fixos em algum local. Mas até onde me lembro, a minha consciência estava intacta, apesar de não conseguir interagir.
      O tipo de AVC que tive foi no tronco, na área da ponte. E os dois AVCs foram isquemicos.
      Médicos são sempre mais pessimistas, acredito até que é uma forma de proteger a família. Acredito que procurar uma físio com especialidade em neuroreabilitacao pode ajudar a avaliar melhor o quadro do seu avô, e se for o caso já estimular movimentos.
      Boa sorte na recuperação! E força a todos!

      Excluir
  5. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  6. Olá Adrina, estou emocionada com sua recuperação.
    Encontrei seu blog, tenho lido atentamente e tido muitas sugestões.
    Minha filha, 25 anos, sofreu um AVC isquêmico na carótida esquerda, fazendo a costumeira corrida, depois do trabalho, há exatamente 02 meses e 12 dias. Gostaria do contato de sua fisioterapeuta e fonoaudióloga, é possivel?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Regina, vc é de Brasília?
      Posso te passar os contatos sim. Me mande um e-mail para a.baltar@yahoo.com
      Será um prazer te indicar essas profissionais maravilhosas que trabalharam comigo!

      Excluir
  7. Olá sou de Brasília sim.
    Vou mandar o email.

    Regina

    ResponderExcluir
  8. Oi estou passando por isso com minha mãe ela teve AVC isquêmico e três meses .mais para mim que cuido dela está bem difícil ela e uma pessoa geniosa, teimosa e para ajudar está com depressão, tudo que peso para ela fazer só escuto não vou, não quero,so quero morrer, minha mãe era bem gordinha hoje há emagrecou mais ou menos uns 40 quilo,mais o que mais me deixa desamimnada e ver que ela nao que se ajudar,e só reclama.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá! É muito complicado o que vocês duas estão passando. Acredito ser importante você conversar com o médico dela a respeito dessa possível depressão que ela está sofrendo. É mais do que normal pacientes pós-AVC passarem por um quadro depressivo. A ajuda de medicamento também pode ser importante para você. Converse com o médico e encontre a melhor forma de conseguir superar isso de uma maneira mais suave.
      Boa sorte

      Excluir
  9. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir